quinta-feira, 10 de maio de 2012

A Menina do Vestido Rosa

17/04/2012

Escondido atrás da sua pequena altura, estava um coração grande. Um orgão capaz de embebedar o corpo todo com um amor puro, quente e sincero. Envergonhado e no seu refúgio de protecção, ele, fica sozinho no meio da multidão. Ela move-se em passadas pequenas ao longo da música, esboça sorrisos para os que a rodeiam e fecha os olhos na procura de um momento seu. Um momento passado que a fez sentir mulher, que lhe trouxe a alegria de viver. Uma lembrança eterna de um dia de sol ou chuva, uma noite quente ou fria, mas um sentimento presente e guardado, fechado e lembrado, dentro de si. 
A mão suada agarrava no copo meio cheio, a outra, conduzia um cigarro para baixo e para cima e durante esse intervalo, ele respirava fumo! 
Ela continuava a dançar, sem as mãos suadas, sem cigarros, agarrando os seus bonitos cabelos castanhos, lisos, no topo da sua cabeça. Ela sabe ser sensual, ela conhece-se. Ela dança como se alguém a agarrasse por trás. Ela conhece o poder feminino e invoca-o ali, para quem quiser ver, naquele momento em que todo ele, estava inundado de sensualidade e feminilidade. 
Pobre coitado, de coração inchado e envergonhado, ele parou, olhou para ela e ficou especado. O mundo deixou de existir, desapareceram as pessoas, o fumo, o som e o espaço. Ficou apenas ela, no seu vestido rosa, dançando para ele, como se ele não existisse. 
Ele não via mais nada, mas ela; os seus cabelos agarrados, o seu sorriso cativante e os seus movimentos pequenos que se tornavam grandes. Os pequenos movimentos de uma grande mulher, pensou ele por momentos. Mais tarde, ela abriu os olhos, o seu sorriso desvaneceu, os movimentos não foram mais os mesmos e os seus cabelos caíram ao longo das suas costas desnudadas e frágeis. 
As palavras que ele nunca lhe disse, a verdade que ela nunca soube, foram suficientes para levar o sentimento entrar. Um apaixonar, um leve toque na pele, um sussurro ao ouvido, uma flor de papel e um texto sentido. 
Ele deixou-se levar por aquela bela mulher, viveu o momento dela, desejou-a toda e somente a ela. 
O furo que nasce no seu coração, agora, serve apenas para ir esvaziando um desejo escondido. Uma paixão inacabada e suspensa. Uma vontade de lhe tocar nos cabelos e receber toda a energia da sua pele. Uma vontade de lhe beijar os lábios e agradecer. 
Um perfume esquecido de uma mulher, que nunca vou esquecer.      
Porém, numa noite de inverno ele verá a neve cair, e lembrar-se-á daquela mulher singela, daquela ternura feminina e da pureza da sua beleza. 
Então em pensamento irá agradecer-lhe, porque sem ela saber, provocou nele um sentimento tão único e intenso, que torna o humano, o ser imenso!