13/05/2012
numa noite quente de primavera, a vida passava lá fora e ele seguia o seu caminho. Um encontro de amigos e ele, o feliz contemplado com um desejo ardente de falar o que não deve. Ela esboça o sorriso contagiante e pede um em troca. No entanto, ele dá-lhe os sorrisos que pode, esconde as palavras que pesam e ignora o desejo que sente. Ela não sabe se ele vai estar por perto nos próximos tempos, mas também não é isso que a preocupa. Ele preocupa-se com o presente e sem poder evitar, escreve o que não pode dar. Ela é ainda mais que um desejo acabado, é talvez um pecado que o faça sentir culpado. É um sentimento de olhares trocados, guardados e escritos em papeis molhados.
Ela é uma força maior que ele não consegue evitar e apesar de estar curado, sente-se culpado, pelo seu próprio desejo.
Então ela dança junto dele, e ele, sem pudor, agarra o seu corpo leve e singelo. Olha nos olhos dela e fala o que ela nunca soube, conta-lhe a verdade do seu olhar. Ela não consegue evitar e dança nos braços dele, escuta o que não quer ouvir. A música alta não os deixa trocar olhares, mas falar. Por entre palavras breves e sentidas:
"Não quero causar pressão sobre uma relação apenas afectuosa de amizade. Não quero olhar para o lado e esconder a verdade. Não quero causar desconforto, nem preconceito. Ouve apenas o meu desejo ardente, de um coração sem jeito. Espero que vivas um amor intenso, como aquele que eu sei que não te posso dar, mas verdadeiro, no que toca a amar. É tão cedo para falar de amor, e é tão tarde para te poder esquecer. Um homem como eu não te pode merecer, mas gosto de estar contigo, porque me fazes viver.
Podia nunca te dizer isto, podia nunca olhar para ti da maneira que estou a olhar. Podia evitar todas e estas palavras que te fazem pressão, confusão e desconforto. Podia ser alguém que tu desejasses, mas não sou. Sou apenas alguém que olha para ti, de uma maneira especial, com vontade de te ver feliz. E sim, sofro ao ver-te ser feliz nos braços de outra pessoa, mas não consigo, ainda, evitar essa desconexão. Estou ainda muito preso para te largar. Mereces a minha amizade e todos os sorrisos que te posso dar, mas não consigo ainda evitar, essa maneira de me apaixonar."
Eu vou e venho rapidamente a um mundo que não é meu. Procuro por uma mulher bela, encontro-a e penso que estou no céu.
Trejeitos de uma noite sem sede, amena e desigual.
Meto a chave na porta, olho as letras de um texto e esboço um sorriso. Não pelo que perdi, mas pelo que ganhei. Não perdi um amor, ganhei uma lembrança de uma noite, amena e desigual. Escondo-me nas letras e evito mostrar como estou. Eu não sou mais porque não me dou. E sim, deixo escapar momentos que em fragmentos constroem uma lembrança de sentimentos. Sentimentos que eu tenho, que eu cultivo e que eu não evito, porque sou culpado.