sábado, 27 de outubro de 2012

Futuro

14/07/2012

já faz algum tempo desde que vi pela última vez a minha família. Tenho pensado no meu futuro e um dos objectivos que tenho, sobrepõe a vontade de permanecer perto deles. Acredito que se eu der esse passo, talvez a minha vida mude mesmo e nada seja igual. Penso bastante na minha carreira profissional, e o abrir dessa porta vai levar-me a um mundo completamente diferente. Se eu construir uma carreira profissional nos EUA e por esse mundo fora, serei eu a mesma pessoa que agora escreve estas linhas e pensa na família? 
O que vou ser eu amanhã? E como estarei? O que vou eu pensar quando olhar para trás? O que vou eu ser para a minha família e o que vai ser a minha família para mim? Lá nas terras de Constantim...
Um dia espero poder ler-te outra vez.

Guilty

13/05/2012

numa noite quente de primavera, a vida passava lá fora e ele seguia o seu caminho. Um encontro de amigos e ele, o feliz contemplado com um desejo ardente de falar o que não deve. Ela esboça o sorriso contagiante e pede um em troca. No entanto, ele dá-lhe os sorrisos que pode, esconde as palavras que pesam e ignora o desejo que sente. Ela não sabe se ele vai estar por perto nos próximos tempos, mas também não é isso que a preocupa. Ele preocupa-se com o presente e sem poder evitar, escreve o que não pode dar. Ela é ainda mais que um desejo acabado, é talvez um pecado que o faça sentir culpado. É um sentimento de olhares trocados, guardados e escritos em papeis molhados. 
Ela é uma força maior que ele não consegue evitar e apesar de estar curado, sente-se culpado, pelo seu próprio desejo. 
Então ela dança junto dele, e ele, sem pudor, agarra o seu corpo leve e singelo. Olha nos olhos dela e fala o que ela nunca soube, conta-lhe a verdade do seu olhar. Ela não consegue evitar e dança nos braços dele, escuta o que não quer ouvir. A música alta não os deixa trocar olhares, mas falar. Por entre palavras breves e sentidas:

"Não quero causar pressão sobre uma relação apenas afectuosa de amizade. Não quero olhar para o lado e esconder a verdade. Não quero causar desconforto, nem preconceito. Ouve apenas o meu desejo ardente, de um coração sem jeito. Espero que vivas um amor intenso, como aquele que eu sei que não te posso dar, mas verdadeiro, no que toca a amar. É tão cedo para falar de amor, e é tão tarde para te poder esquecer. Um homem como eu não te pode merecer, mas gosto de estar contigo, porque me fazes viver.
Podia nunca te dizer isto, podia nunca olhar para ti da maneira que estou a olhar. Podia evitar todas e estas palavras que te fazem pressão, confusão e desconforto. Podia ser alguém que tu desejasses, mas não sou. Sou apenas alguém que olha para ti, de uma maneira especial, com vontade de te ver feliz. E sim, sofro ao ver-te ser feliz nos braços de outra pessoa, mas não consigo, ainda, evitar essa desconexão. Estou ainda muito preso para te largar. Mereces a minha amizade e todos os sorrisos que te posso dar, mas não consigo ainda evitar, essa maneira de me apaixonar."

Eu vou e venho rapidamente a um mundo que não é meu. Procuro por uma mulher bela, encontro-a e penso que estou no céu. 
Trejeitos de uma noite sem sede, amena e desigual. 
Meto a chave na porta, olho as letras de um texto e esboço um sorriso. Não pelo que perdi, mas pelo que ganhei. Não perdi um amor, ganhei uma lembrança de uma noite, amena e desigual. Escondo-me nas letras e evito mostrar como estou. Eu não sou mais porque não me dou. E sim, deixo escapar momentos que em fragmentos constroem uma lembrança de sentimentos. Sentimentos que eu tenho, que eu cultivo e que eu não evito, porque sou culpado.

Double

17/09/2012

Eu_Outro

a propósito de um texto que eu escrevi há uns tempos atrás.. sobre a vida humana, o facebook, a vida social e a vida virtual. Hoje, vejo uma noticia que vai de encontro ao que eu escrevi, no entanto fá-lo de outra forma. Fá-lo em forma familiar. Os valores da família, o amor pelo Eu e pelo Outro. A senhora Colasanti de primeiro nome Marina, escritora brasileira, veio a Portugal falar exactamente sobre isto. No seguinte link podemos precisar que já não contamos histórias. 

http://lifestyle.publico.pt/artigos/310376_ja-nao-contamos-historias

Eu falo em tecnologia, numa era presente. 
Eu falo na falta dela no passado. Eu procuro entre linhas dizer o que não tem significado. 
there's so much to say and nothing was left to be told..

24/09/2012

Nada..

faz pouco tempo desde que cheguei a casa e como sempre ligo o computador. Porque vivo sozinho, apesar de partilhar casa com mais três jovens adultos. Porque o faria, provavelmente, se ao pé de mim estivesse uma bela mulher. E porque eventualmente eu não tinha nada para lhe dizer, nada para lhe dar e nada para lhe pedir. 
Então, eu não tenho Internet! Tenho computador, mas não tenho mulher! 
Eu neste momento não posso ver quem está do outro lado da linha. Esta dependência da Internet pode tornar-se incómoda. Não que eu queira fazer uma intensa pesquisa sobre ciência, cultura, religião ou sexo. Apenas só para estar ligado. Ligado ao mundo e sentir o mundo ligado a mim. 
Durante alguns minutos senti-me perdido.. O que fazer sem ela?! 
Quando me encontrei, dei conta que tinha nada. 

Apenas Amor

06/07/2012

Porque os livros são para quem os quiser ler. 
Porque a leitura está ao alcance de qualquer um. 
Então eu escrevo pequenos trechos de texto, sem com eles conseguir fazer uma história. Talvez seja a minha história, talvez seja minha só a vaidade de poder escrever e não pedir a alguém para ler. Já me perguntaram porque não escrevia um livro. Já me questionei se era capaz de publicar um. Mas a verdade é que não sei sobre o que escrever, nem tenho aquele imenso tempo necessário. Por enquanto vou estando apenas na minha sombra, sem causar muita magoa nem ardor. Sem pedir que sintas pena, ou apenas amor. 

Estou a meio de um projecto cinematográfico. O desenvolvimento de uma história cuja finalidade passa pela captação de imagem. Uma história entre o Douro e London. Talvez um pouco auto-biográfica, mas procuro tirar mais de mim para poder conclui-la. Fala sobre valores familiares, sobre um presente, sobre uma história que podia eventualmente ser verdadeira, ou pelo menos assim o pretendo transpor. Palavras de angústia, palavras de dor.