11.08.2025
Ano após ano, no Verão, Portugal arde… porém, depois do Verão, virão as eleições autárquicas!
"Wonder is the feeling of a philosopher, and philosophy begins in wonder." Plato
11.08.2025
Ano após ano, no Verão, Portugal arde… porém, depois do Verão, virão as eleições autárquicas!
03.04.2025
Esta série não é um espelho, porque nela não nos vemos a nós; é sim, um sintoma de que algo dentro de nós está realmente mal e só tende a ficar cada vez pior...
Durante 2000 anos a humanidade moldou-se para que a língua fosse comum em, pelo menos, qualquer estado nação.
À entrada do novo milénio verifica-se que a comunicação entre duas gerações é difícil e a comunicação entre quatro gerações, dentro do mesmo seio familiar, é imperceptível! Ainda que este juízo seja hiperbólico, não deixa de ser aproximado. Contudo, em duas décadas, o tom hiperbólico de agora, será uma milestone… Isso não se deve unicamente à evolução da língua, mas, sobretudo, à evolução da tecnologia. Aqui convém recordar uma frase que poderia ser um mantra religioso: “First we build the tools, then the tools build us!”
Uma década depois do embate no novo milénio, Black Mirror “feria” susceptibilidades com as suas mensagens amargas sobre a influencia da tecnologia no ser humano, mas, a grande maioria estava concentrada em descobrir os seus gadjets pessoais, tal e qual o ser humano descobre o seu corpo e quais os pontos onde pode produzir prazer!
Tecnicamente Adoleslence está notável. A escrita está aguçada, cozinhada, mas crua (qual Tartare de bœuf!). A representação roça a realidade. A produção e montagem em plano de sequência é genial e convoca o espectador para dentro da dimensão espaço-tempo - razão pela qual o impacto é tão notório. A sequência está ajustada à gastronomia de cerimónia - quatro pratos - servidos num só dia. O passo é o adequado a provocar tensão, desconforto, conexão - hype - e ser um mega sucesso de uma plataforma de conteúdos audiovisuais, paga on demand.
Acima de tudo, a série, traça um plano muito aproximado da realidade e demonstra que: a) as escolas andam à deriva, os professores, auxiliares e demais intervenientes escolares estão sobrecarregados, perderam autoridade e o respeito de outrora; b) os laços familiares são muito superficiais perdendo cada vez mais força para um mundo virtual e avatares construídos de acordo com o que é viral e bem sucedido nas redes; c) a falta de diálogo, de presença e autoridade não favorece a relação entre pais e filhos, muito pelo contrário; d) a internet é um mundo novo que deve ser descoberto pelos pais e filhos, simultaneamente, pois é nessa teia global que reside o pior dos virus e a melhor das curas. Já não podemos ignorar a internet porque não conseguimos viver sem ela mas, por outro lado, podemos minimizar os riscos que ela aporta para a saúde do ser humano e para consequências que podem transformar a vida de uma familia num drama horrível, como demonstra a série Adolescence; e) o perigo que espreita das redes virtuais e a ilusão de pertença. A busca da excitação individual ao imaginar que faço parte de um grupo que se distingue dos demais independentemente das suas ações serem boas ou más, pode convocar no ser humano atos imprudentes, inacreditáveis e definitivos.
Para concluir, devo dizer que a avassaladora quantidade da informação que a world wide web traz para a tela individual sonega os nossos laços sociais, as relações familiares, a auto-estima, a felicidade. Por outro lado traz a recompensa diária que cada indivíduo procura por esse universo digital. A recompensa que a esposa e/ou marido não dá; a recompensa que os filhos não dão; a recompensa que os pais não dão; a recompensa a que tenho direito depois de um dia cansativo de trabalho; a recompensa que (parece) me afasta de um momento de solidão e ansiedade; a recompensa que a sociedade me tira por eu não ser famoso, por não ter o corpo ideal, por não ter o dinheiro que desejo, etc
De facto, vivemos num mundo desenfreado, à deriva, sem rumo, onde os mais velhos perderam a posição de ídolos para os ditos influencers. Onde esses “bem sucedidos” influencers tem muito pouco para ensinar ou poucos valores para transmitir, mas, ainda assim, são seguidos por uma legião de fãs! Um mundo onde o mais forte sobrevive e o mais fraco é subjugado. Por ventura, a história retoma os trajetos da época medieval mas o poder da internet indetermina qual é o desfecho da jorna diária.
O ultra capitalismo não dá tréguas ao ser humano. Por isso, é hoje mais difícil ser adolescente. É mais difícil ser pai. É mais difícil criar os filhos. É mais difícil ser feliz, amar e ser amado. Vivemos tempos difíceis de incerteza que a internet promulga como verdadeiros, mas, que na realidade são ficção. E nós acorrentados à tela, aos impostos, aos vícios, ao julgamento social mais não fazemos do que sobreviver à jorna diária. A vida está cada vez mais rápida, e, momento após momento, deixamos o que realmente importa. Fazemos opções em consciência que são irreparáveis e lamentamos que o tempo não volte atrás. E, por ventura, esquecemos aquilo que nos trouxe aqui…
06.01.2023
Há três pontos fundamentais para o estado erosivo do governo atual: a velocidade instantânea da informação e a liberdade de imprensa; o estado moroso, corrompido e pouco credível da justiça; e a maioria absoluta do PS. Estes pontos desaguam numa instabilidade política lastimável que tende a elevar a voz populista. Pedia-se uma voz mais firme do Presidente da República, até porque, esta sucessão de factos permite, efetivamente, uma força extra a André Ventura e ao seu partido. Sendo que, a par da Iniciativa Liberal, são os únicos partidos que nunca estiveram no governo e cuja teoria ameaça a prática. Nunca ter estado no governo é também um ponto a favor do Chega porque não pode ser avaliado pela sua prestação e sim, apenas, pela sua retórica.
12.03.2025
Daqui a cerca de dois meses iremos, novamente, a eleições legislativas! Uma votação que irá nomear um dos dois líderes dos maiores partidos politicos portugueses, para formar uma equipa que governe.
Nenhum deles tem autoridade, carisma e personalidade para liderar o governo de um país como Portugal. Viveram e vivem em torno do poder. Contudo, isso não é uma particularidade nacional; é continental; é mundial!
Chegamos a um ponto em que a espécie “mais inteligente do universo” (!?) ficou cega de poder, perdeu valores e desvalorizou os laços humanos. Infelizmente, as sociedades aprenderam pouco com alguns tiranos/ditadores que vieram a este mundo e como se tal não bastasse, essas sociedades produzem, agora, ditadores em massa, para todo o género de poder e sector.
03.06.2023
12/04/2021
A religião surgiu e promulgou a capacidade de ligar física e meta-fisicamente os seres humanos. A ciência não tem essa capacidade. A cultura muito menos.
É perceptível que, na exposição de todas as invenções humanas, a religião seja a protagonista. Ainda assim, a sua prática e culto mais extremados são promotores de guerras imaginárias e odiosas. Crimes hediondos em nome de um salvador único e supremo que, cultural e religiosamente, os humanos personificaram como um Deus.
Deus é tudo e todas as coisas. É pai e mãe. É branco e preto. Deus é energia que nos une como sangue invisível. Deus é o guardião do tempo. O tempo que passou. O tempo que passa. O tempo que passará. O tempo orgânico, quantitativo e qualitativo. O tempo que atribui e retira qualidade. Deus é organico. Deus reside num tempo líquido, medido pela grandeza da mente humana.
A mãe natureza é Deus. O pai planeta terra é Deus também. Mas Deus é os outros planetas, o universo que eles me dizem que existe. Deus é as estrelas e o infinito que a minha imaginação quantifica.
Deus é o universo de toda a informação. Deus é o código de todos os códigos Deus é o criador desta tela tridimensional, que identificamos como realidade.
Deus é o continuo desta realidade virtual que os meus olhos acedem quando se abrem. Deus é tudo e todas as coisas. Deus é pai e mãe.
É a Deus que eu me dou.
Adeus!
23.10.2021
As redes sociais em geral e o Facebook em particular, por ser, de longe, a mais utilizada, destrói inexoravelmente os laços e a conectividade orgânica. Nunca uma ferramenta produzida pelo homem permitiu uma ligação tão próxima e abrangente como as redes sociais. Apesar disso e de acordo com os gostos, partilhas e suporte gerados em torno de um “amigo”, o nosso consciente molda-se e é manipulado, em prol dessa acção.
Num mundo cada vez mais avesso às proximidades presentes e às partilhas de espaço e tempo é paradoxal que, de repente, sejamos todos amigos, que um actor social goste tanto daquilo que o outro faz, partilha ou faz de conta que gosta. É, portanto, uma ilusão e uma causa-efeito muito superficial, que comanda a rota diária do membro facebookiano que inconscientemente é manipulado para aproximações ou afastamentos de outros membros, consoante as suas partilhas e gostos.
Poderá dizer-se que a manutenção e assertividade plasmada nas redes sociais são um “trabalho” para uma vivência futura mas, no meu entender, um futuro assim, só impressiona pela negativa. Lá chegados, teremos que repensar os valores e congregações das comunidades e definir qual a finalidade de nos tocarmos, nos amarmos e nos satisfazermos em convivência presencial.