Largo do Camões, sentado
Calçada portuguesa calcada
Um sem abrigo deitado
E uma nação marcada
Vozes de um país distante
espalham-se ao longo, no vento
Ele com um olhar penetrante
pede misericórdia e alimento
bebendo um café pingado
aproxima-se do velho humano
e de um bolso apertado
saca um bonito pano
Pensando em papel timbrado
o velho esboça um largo sorriso
mas para seu desagrado
o jovem está indeciso
Então sem mais pensar
do pano sai uma lembrança
levando-o a recordar
os seus tempos de criança
Relógio de talha dourada
trabalhado e construído à mão
De uma herança deixada
De um amor de coração
Em passados esquecidos
como quem entra e sai
lembra os momentos mais queridos
junto de seu pai
Depois de olhar bem para ele
o velho lamenta o seu trilho
sabendo que o jovem é dele
em lágrimas chama-lhe filho
E neste momento sofrido
o velho pede perdão
depois de um abraço sentido
sozinho, só ele e a solidão