quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Wonderful Life

18/02/2012

os carros circulam lá fora, e eu aqui parado. Parado a olhar um computador do século XXI e a escutar uma musica do século XX. O tempo passa, mas a verdadeira razão da vida humana permanece inalterada. Os problemas da vida, a luta pela busca da alegria e do alimento acentuam-se num mundo corrompido, alterado e finito. 
Prestes a acabar o seu ciclo, o planeta Terra mostra-nos aquilo que nós construimos ao longo da nossa vida. A globalização de ideias, de vontades e leis. 

Ninguém fica indiferente ao que se passa lá fora. Bem longe e tão perto. Ninguém vive sem procurar o outro, que está coberto e incerto. A vida pode não ser um quadro pintado, um amor acabado e uma história feliz. Será uma história de guerra, um momento de dor e um ciclo viciado?
Nascer e viver aqui, sem nunca mudar de lugar. Morrer e nascer num outro lugar? 
O mundo é pequeno, mas é tão longe e distante. O que posso eu fazer se não tenho uma passada de gigante? 
Vou continuar no meu caminho, feliz e contente. Olhar para trás e ver se há gente. Seguir em frente e chegar a um momento em que digo adeus. Por momentos rápidos eu vejo os meus, vejo a vida que ficou lá trás. Fecho os olhos num momento de paz e viajo, até um espaço que eu não conheço. 

Quando abro os olhos, choro e estou perturbado. Alguém fica visivelmente feliz por me ter ao seu lado. Então, eu sou novamente introduzido a pessoas. Escolhem um nome para mim, regam-me e tratam-me como flor de um jardim. Completamente formatado não me conheço no espelho. Os meus olhos virgens não distinguem o velho. 
E então ele sorri. Ele diz as primeiras letras do seu vocabulário. Ele faz o seu próprio sumário e mais tarde será um empresário no longe e distante mundo, do reino planetário.

Porque as pessoas preocupam-se com a vida lá fora, mas não procuram a vida cá dentro. Assim como não procuramos a beleza que nos rodeia, procurando aquilo que nos transcende. Posso viver perto da Torre de Belém, mas nunca lá fui. Não me interessa. O que me interessa é uma cidade na Polónia que tem um espaço onde foram assassinadas várias pessoas. 
Não te quero se estás perto! Procuro-te porque estás longe e não te vi. Não te toquei e não te senti, mas ouvi por variados meios falar de ti. 
Então mais tarde, num futuro de sol tudo isto fará sentido quando à luz das velas e bebendo aquele vinho tratado, eu falo para ti e por momentos te conto o meu passado. Mas, tu ao escutar-me sorris e respondes em desagrado, pois o que tens está perto e o que procuras, jamais será alcançado...

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Vibe Vidu

23/01/2013

vida bela.. vida dura

escrevo para o meu pai, porque ele não sabe o que eu passei, nem eu sei o que ele passou. Ele não conhece a palavra trance, nem eu a palavra ditadura. Eu conheço a palavra: vida bela e ele a palavra vida dura. Nunca me deixou faltar nada e só quer o melhor para mim, e é esse melhor, que o está a consumir! Eu nem sempre quero o melhor, às vezes também quero o mau. Essa é talvez a maior falta de compreensão que existe entre nós os dois. 

escrevo para a minha mãe que me olha nos olhos e me pede respostas. Respostas que eu não posso dar mas que procuro. Ao invés de um filho mole, ela criou um filho duro. Foi talvez um furo, entre nós, que ficou por tapar. A minha angústia, quando ela só me queria amar. Procuro por ela nos momentos de alegria e choro por dentro quando observo os seus momentos mais tristes. A angústia que me consome quando eu percebo que tenho tanto para lhe dar e não consigo! 

escrevo para a minha irmã que me observa sem me questionar. Uma questão de espaço que nos está a separar. Estar com ela é único, porque olho para ela com sentimento, tentando le-la a todo o momento. Transmitir-lhe alegria e paz, sou péssimo nisso, não sei como se faz. Tento ser apenas eu. Mostrar-lhe que estou aqui, enquanto existir ao seu lado. Ela faz parte de mim, do presente e do passado. 

escrevo para mim porque faz-me sentir relaxado! 
Deixar marcas num presente, que vai ser passado...