sábado, 26 de novembro de 2011

O Menino e o Caminho

05/10/2011

por aqui está tudo diferente, está tudo anormal em relação à normalidade da vida. O sol é quente e há quem diga que parece Verão, há quem percorra o último caminho dentro de um caixão. Pessoas enterradas que deixam o mundo e outras que nascem agora para viver uma nova vida. 
Montanhas e vales num país pequeno, afastado da civilização e junto ao mar. Quem nos quer ajudar, quem nos querer atirar ao mar? Os grandes que nos pisam e pedem perdão, são aqueles que depois perante o público, nos estendem a mão. São os entes queridos da multidão, os que nos põem à prova e nos chamam à razão!!
Daqui por uns anos já nada disto fará sentido, guerras que vem e outras que se vão. 
O menino sentado na sua escada, revestida de cimento, olhava o céu azul, num quente dia de Outubro. Interrogava-se porquê que ainda vestia a sua roupa de Verão. Atirando pedrinhas para o chão, ouvia bem perto o sufoco, apertado na escuridão. Ela, mãe e dona do seu corpo, queria o dinheiro na mão!
Com maus modos e sem maneiras, alguém passou por o menino em jeito de ingratidão. Ele não reconhece o seu rosto, não conhece o seu cheiro, não partilhou do seu sorriso e quando ao longe o avista, percebe que o seu pai, nunca terá perdão.  
Uma lágrima percorre o seu rosto e espalha-se no cimento pisado. Ao longe só o céu azul e marcas de um passado. Vontades preenchidas num celeiro abandonado. 
O homem de aspecto pesado, nunca olha para trás, caminhou muitas vezes em frente, em direcção aquele celeiro. Foi aí que encontrou o que ainda não havia encontrado. Num dia frio de Junho, deixou o seu caminho traçado.
Dias mais tarde, o menino percorre montes e vales, correndo atrás do seu cão. Na encruzilhada, segue por um caminho que o leva a uma aldeia. O povo perdido na imensidão, pede a Deus por compaixão e num domingo cinzento, abrem as portas da igreja, de onde sai um caixão. Ao longe e inocente, ele não reconhece o rosto e não conheceu o seu sorriso. E volta a casa, em constante alegria com o seu cão.  

Traços de Avião

08/10/2011
tarde solarenga de Outono. Ele sentado e vestido com peças de Verão. 
Tímido e discreto caminha por entre a multidão. Ela de sorrisos rasgados, por momentos, toca-lhe no coração. A noite quente, a bebida alcoólica e a certeza de te poder ver sorrir. Não atiro palavras, apenas as quero sentir. Sem arriscar nada, ele limita-se fugir. 
Mas ela fica na indiferença do desconhecido e num piscar de olhos esquece a sua cara. Naquela noite de Outono que mais parecia de Verão, ele, uma vez mais, sentiu o seu coração. 
Vejo prédios, 
ouço uma batida de Verão,
sentado na sua varanda 
ele avista o avião
No céu azul claro
o branco e a imensidão
na cidade de Lisboa
o sol aquece-me o coração
Em paraísos perdidos
o jovem esquece a razão
entre gemidos sentidos
em traços de avião
Nessa tarde quente 
acaba no seu colchão
na sua cabeça traz gente
que lhe ocupa o coração
Depois da viagem 
ao espelho, ele presta atenção
no reverso da sua imagem
sozinho, vê a solidão
Olhando para trás, ele entende que a vida é uma conquista. Porém vive ansioso com o futuro. Faz tempo que não vive satisfeito com o seu percurso. Os desafios são poucos, a alegria dissipa-se no meio da escuridão. Ele que adora ser desafiado, que procura o mais difícil, com vontade de vencer. Que não se contenta, se ficar sentado a ler; resolve nessa tarde de outono, começar a escrever. 
Então ele escreve sobre o presente e o passado, o futuro desejado e a alegria monótona, num dia quente de outono, sozinha, no alto de uma varanda do quarto andar. Enquanto ela não se for embora, ele decide escrever sobre ela e retratá-la como se de um quadro se tratasse. 
Eu gosto de ti porque me fazes rir, sentir e decidir. A alegria vai caminhando cada vez mais para baixo. Não levará uma hora a desaparecer! Vai deixar de me aquecer e eu vou parar de escrever. 
Ao entrar no fim-de-semana, ele vê-se sozinho no meio da cidade. Não sabe o que o amanhã lhe trará, mas pede saúde para si e para os seus. Pede poder voltar a ver o sol, que até agora me tem iluminado. Reza sozinho ao Deus sagrado e com a fé de um homem, vai vivendo incentivado. 
Se o amanhã for mais bonito, talvez possa retratá-lo. Por entre a paz dos homens, com a saúde, ele vive. 
Num país de céu azul claro, 
a vida pode ser bela. 
O homem sonha 
e continua a lutar por ela. 
Entre letras quentes, 
ele escreve à janela.  

Reconquistar

02/08/2011

apagaram-se as luzes, copos abandonados no chão, passos perdidos ao longe, o ruído foi embora e voltou a paz. Voltou a paz para quem anda na guerra, mas voltou a guerra para quem procura a paz. Nostalgia e apatia de mãos entrelaçadas, coração furado a esvaziar, solidão sentada ao meu lado e mais letras sem pressão. 
Não peço muito, acho que peço pouco mas fico preso no meu pensamento. 
Eu quero trabalhar, quero estar ocupado, quero construir carreira, quero reconquistar a minha independência. Por entre batalhas conquistei-a já faz tempo, mas tenho vindo a perdê-la cada dia que passa. 
Eu quero amar, quero estar ocupado, quero construir familia, quero reconquistar o meu amor. Por entre desafios conquistei-o já faz tempo, mas tenho vindo a perdê-lo cada dia que passa. 
Eu quero viver, quero estar ocupado, quero sentir o sabor do objectivo alcançado, quero reconquistar as minhas vitórias. Por entre caminhos, vivi momentos que aqui me trazem hoje e sem perdão eu sinto-me vazio no meu coração. 
Um dia de cada vez, caminhos que descem e estradas que sobem, o peregrino leva a sua fé. Ao longo da sua caminhada, ele vê os quadros que ficam para trás e apercebe-se que as pinturas não são as mesmas...