05/10/2011
por aqui está tudo diferente, está tudo anormal em relação à normalidade da vida. O sol é quente e há quem diga que parece Verão, há quem percorra o último caminho dentro de um caixão. Pessoas enterradas que deixam o mundo e outras que nascem agora para viver uma nova vida.
Montanhas e vales num país pequeno, afastado da civilização e junto ao mar. Quem nos quer ajudar, quem nos querer atirar ao mar? Os grandes que nos pisam e pedem perdão, são aqueles que depois perante o público, nos estendem a mão. São os entes queridos da multidão, os que nos põem à prova e nos chamam à razão!!
Daqui por uns anos já nada disto fará sentido, guerras que vem e outras que se vão.
O menino sentado na sua escada, revestida de cimento, olhava o céu azul, num quente dia de Outubro. Interrogava-se porquê que ainda vestia a sua roupa de Verão. Atirando pedrinhas para o chão, ouvia bem perto o sufoco, apertado na escuridão. Ela, mãe e dona do seu corpo, queria o dinheiro na mão!
Com maus modos e sem maneiras, alguém passou por o menino em jeito de ingratidão. Ele não reconhece o seu rosto, não conhece o seu cheiro, não partilhou do seu sorriso e quando ao longe o avista, percebe que o seu pai, nunca terá perdão.
Uma lágrima percorre o seu rosto e espalha-se no cimento pisado. Ao longe só o céu azul e marcas de um passado. Vontades preenchidas num celeiro abandonado.
O homem de aspecto pesado, nunca olha para trás, caminhou muitas vezes em frente, em direcção aquele celeiro. Foi aí que encontrou o que ainda não havia encontrado. Num dia frio de Junho, deixou o seu caminho traçado.
Dias mais tarde, o menino percorre montes e vales, correndo atrás do seu cão. Na encruzilhada, segue por um caminho que o leva a uma aldeia. O povo perdido na imensidão, pede a Deus por compaixão e num domingo cinzento, abrem as portas da igreja, de onde sai um caixão. Ao longe e inocente, ele não reconhece o rosto e não conheceu o seu sorriso. E volta a casa, em constante alegria com o seu cão.