domingo, 31 de janeiro de 2016

A Cura

30/01/2016

Tu e ela..

Talvez, eu seja apenas a cura.. 
A cura de um amor que te consumiu por inteiro, te jogou contra a parede e te possuiu de todas as formas. E, tu gostaste! 
A cura de um homem que já não tem mais nada para te dar, mas tu sonhas e, ansiosamente, esperas que tenha. 
A cura de um sentimento de culpa que te dá pena, perturbação e dúvida. 

Uma vez, alguém apareceu com uma mulher à minha porta, para eu a conhecer!Passados noventa minutos, deixei de estar na sua presença durante meses! Até chegar a altura em que ela decidiu atravessar o oceano para me encontrar de novo. Olhar-me nos olhos, dizer-me o que ainda não me tinha dito e entregar-se a mim, como se o amanhã fosse uma utopia... 
Foi uma grande prova de fé, maturidade e força interior! 
Teve que deixar filhos, ausentar-se do trabalho e fazer uma longa viagem para chegar à Europa e, conhecer-me de verdade... Como ela tanto desejava! 
Uma semana bastou para perceber que existia magia entre nós... Quando tudo o que ela sabia era baseado em letras minhas. 
Mas, nos meus textos, viu-me como nunca ninguém foi capaz!! E, acreditando muito que eu era mais do que textos, amou-me de muitas maneiras e com todas as forças. 
Os dois vivemos uma semana de intensa paixão. Essa droga que o nosso corpo produz, no seu todo muito equiparada com ecstasy! Uma euforia, uma disponibilidade e um descontrolo desmedido. 
Na hora da despedida a ressaca foi brutal! Ao olhar-mos uma ultima vez nos olhos um do outro, ela já fora do carro e na entrada do aeroporto, eu percebi o quanto aquela mulher me tinha mudado... 
Arranquei em velocidade... Fiz a viagem de regresso como se de uma travessia no deserto se tratasse, totalmente destruído, ressacado e vazio... 

Uma vez, eu voltei naquele avião, daquele país, atravessei o oceano depois de me despedir dessa mulher... Para nunca mais a sentir com o corpo colado no meu... Para nunca mais sentir a força do abraço que ela me dava... E a alegria do seu olhar... 
Eu libertei-a e fiquei aprisionado na minha mente, no meu coração. Ao longo do meu corpo, sou apenas um desejo controlado! 

Talvez, tu sejas apenas a cura..

Sonho de uma Noite de Verão

21/06/2013

Dream in Twin Peaks

o Verão supostamente começa hoje, mas aquele sol abrasador não se faz sentir. Tenho andado em viagens, neste pequeno reino maravilhoso. Faz algum tempo que já não escrevo, desta maneira, e, parece-me estranho! 
No entanto, agora os pinheiros continuam a usar o seu tom castanho. 
Tenho estado tão perto e tão envolvido que, não sei se isto faz sentido! Liderar uma equipa, sem conseguir desabafar com todos de uma forma normal, é desafiador. 
Surge então uma ideia, uma “proposta” para realizar uma curta-metragem. Eu como pecador, escolho quadros pesados que podem mostrar dor. E essa dor, que eu por vezes sei, que eles não sentem... 
Esta curta-metragem é bastante peculiar! 
Entretanto lanço um video que chegou para marcar. E toda a gente passou a adorar. A equipa está mais coesa. Eles começam a acreditar e isso faz-me manter aquilo que eu disse que ia dar. 
É pesado eu sei. É um fardo que eles me estão a ajudar a levantar. Eu reconheço, agradeço e sinto-me na obrigação de não falhar. 
Sinto que este mês de Junho é de mudança. Tem sido tanta emoção junta e tem-se vindo a acentuar. 
Esta curta, trata de sonhos. Literalmente!
O sonho de uma submissa que se vê perseguida por algo mais poderoso. Como se alguém conseguisse prende-la num sonho, sem retorno. Eu não sei o que sentiram os membros da minha equipa quando viram aquele video de pouco mais de 60 segundos. A atmosfera que nós conseguimos criar, num sitio que não é nosso, mas que é do nosso mundo. Este video acompanhado de uma banda sonora que eu emprestei de David Lynch, himself! O efeito não podia ser mais desejado! Mas até que ponto será bem interpretado??!
Durante esta semana tive noites em que visualizei a curta. 
Enquanto re-escrevia o shooting script, depois de compreender melhor o seu fim... 
Não o fiz por ninguém! Fi-lo por mim. 
Depois dessas noites, olho o passado e vejo-me assim... 
Terras altas num planalto de pinheiros, que hoje se chama Constantim. 


Ego Virtual (segunda parte)

03/09/2015

(...)

Sem perceber ainda muito bem porquê, assisto virtualmente a uma demandada de refugiados, que aos milhares se tentam espalhar pela Europa. A verdade, é que em poucas semanas, deixaram de ser insignificantes embarcações que “apareciam” ao largo da costa italiana, para se assistir ao descontrolado movimento de pessoas a invadir, literalmente, países da zona leste Europeia.
O ponto mais importante que eu registo nesta mudança é a presença de crianças! Vejo mães e pais sozinhos com crianças ao colo e, crianças sozinhas, sem pais nem mães! 

Eu que padeço da desconfiança, vejo uma alteração não inocente e nada equivoca! Se antes, eu entendia que os refugiados tinham que pagar largas quantidades de dinheiro, aos chefes da quadrilha, para arranjar um lugar no barco apinhado, onde a travessia do Mediterrâneo era uma viagem para a morte quase certa... porque é que agora, eles aparecem aos milhares, crianças sozinhas, tiram selfies e publicam nas plataformas virtuais de propaganda social. 
Os lideres absolutos e tiranos que governavam muitos destes países foram abolidos, mortos, perseguidos e massacrados. Exactamente como eles ordenavam que fosse feito aqueles que eram contra os seus governos! Os Estados Unidos da América foram os principais “culpados” nesta realidade! 
[A minha dúvida se deveria inserir a palavra culpados dentro de aspas, vai permanecer durante mais uns tempos, creio eu!]
Acontece que os grupos radicais extremistas que hoje proliferam, impõem massacre e terror nesses países, onde o massacre e o terror sempre existiu, e são muito mais inteligentes, sofisticados e autodidactas, que eram há 20 anos atrás. E isso, deve-se à evolução alucinante dos dias de hoje, que para uns assusta e para outros é algo normal. A tecnologia albergou o mundo e o mundo está, inevitavelmente, ligado pela tecnologia! 

Eu queria acreditar que depois de se partilhar fotos de miúdos mortos em terrenos europeus, com os vizinhos e com todos os outros que eu não conheço, mas aos quais eu apresento a minha causa tão forte como uma folha de papel, debaixo de pingos de chuva, água morna e salgada que cai dos meus olhos, a Europa vai mudar! E, repare, que eu não digo o mundo, pois o mundo continua igual há muitos anos e é demasiado grande para eu me preocupar com ele, mas a Europa! Esse velho continente onde nasceu a democracia, onde proliferam as economias emergentes de grupos de línguas diferentes.  
Eu queria acreditar que a chegada dos miúdos, mulheres e homens inocentes foi de livre vontade, que chegaram com objectivo de construir uma vida harmoniosa, de paz e amor entre o próximo, no continente mais desenvolvido do mundo, e, não foi uma jogada tenebrosa, manipuladora e vil dos grupos radicais extremistas que nos vigiam ao longe, pela janela do mundo.
Eu queria acreditar que este texto é apenas um desabafo sentido que não se espelha no futuro e, faz parte de um passado que foi superado. 

Eu quero acreditar que a vida que ainda nos resta viver será de respeito e amor pelo próximo. Será aproveitada da melhor maneira, pois cada segundo é importante num caminho finito. 
Eu quero acreditar que o meu Ego digital é apenas um consumo excessivo de informação errada e manipulada, pelos grandes grupos económicos mundiais, que governam a liberdade do puro, simples e comum dos mortais.