segunda-feira, 11 de agosto de 2025

O desencantamento politico

11.08.2025

Ano após ano, no Verão, Portugal arde… porém, depois do Verão, virão as eleições autárquicas! 

Há partidos que vão “cavalgar nestas ondas de fogo” até ao último dia de campanha. Os incêndios serão uma arma de arremesso da esquerda para a direita, e, da direita para a esquerda. É aí que os partidos esperam recolher votos: no descontentamento do povo! É neste ponto que estamos! Os partidos não ganham votos pela sua obra e determinação; os partidos ganham votos pelo descontentamento do povo, por acharem que partido A é menos mau que B.
No próximo dia 12 de Outubro, o povo irá eleger o menos mau(?), num leque de partidos politicos cheios de promessas bafientas, velhas e gastas.
Os incêndios são um problema português? Não. São um problema geográfico (sul da Europa), como também um problema de mentalidade e, sobretudo, um problema politico. Mas, isso são factos com décadas! Os respetivos governos nunca adoptaram medidas efectivas e eficazes. 
Desde que a eletricidade e a tecnologia de aquecimento entraram nas nossas casas; desde que o ser humano se afastou da floresta, agricultura e criação de animais, para sustento familiar, que deveriam ter sido adoptadas medidas que previnam o incêndio e preservem a comunidade, a floresta, a segurança. Em paralelo, o plano territorial e urbanístico deveria ter sido atualizado constantemente até atingir o resultado desejado, sobretudo no interior do país e em vilas e aldeias, rodeados por floresta e montanha.
Os incêndios são o produto de uma soma de males. São o reflexo da debilidade económica, da instabilidade social e do desprezo cultural. A democracia é a melhor forma de viver em sociedade. Sem dúvida. A democracia tal como a lingua são um engenho cultural em constante evolução; não são estanques. No entanto, até a democracia tem limites e não devemos ridicularizar esta ferramenta política. 
Desde a sua implementação, a democracia nunca esteve tão ameaçada. Isso não é (só) um problema de mentalidade; é, também, um problema politico, i.e. não deve estar circunscrito apenas ao choque de culturas, religiões, classes, etc - porque o verdadeiro choque entre povos, culturas, religiões pode ainda estar por vir com o aumento de conflitos territoriais e catástrofes naturais -, mas, sobretudo, a uma incapacidade política, a uma falta de altruísmo, a uma arrogância das elites.
É necessário alguém que rompa o sistema bafiento, corrupto e viciado da política nacional. Mesmo que tal implique uma implosão dos quadros politicos, uma ruptura na maquina partidária, um corte drástico na sebosa conjuntura politico-partidária. É necessário músculo, sobriedade, coragem e honra para ganhar o interesse do povo. Para que o eleitor, na hora de votar, não decida pelo menos mau, mas pelo melhor. 
Sabe-se, por senso comum, que é muito mais fácil fazer parte de um rebanho, do que seguir na direção oposta. No rebanho todos cantam a mesma musica, todos sabem a coreografia, as vitórias e derrotas são repartidas.
Nas ultimas rondas de eleições optei por deixar os boletins em branco. É a minha forma de protesto, democrática e passiva, de dizer que não aprovo o trabalho dos candidatos, nem das suas máquinas partidárias. 
Eu sei que um voto, ou meia dúzia deles em branco não tem impacto, sobretudo, no sistema eleitoral implementado em Portugal, mas o meu dever cívico e direito ao voto, fica concretizado, neste desencantamento politico.