05/03/2008
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Crescer, viver, sorrir, chorar. Apenas passar os dias de uma vida que se programa. Sentir, fazer, acordar, dormir. Uma rotina de afazeres desaproximados. Paz, amor, vida e morte. Crianças a crescer e entes queridos que completaram a longa caminhada das suas vidas. Vontades que se ficam e vontades que se vão. Paixões guardadas na solidão.
Eu fui jovem muito cedo, cresci agarrado a desejos que me superiorizaram. Andei, voltei, cumpri e senti-me inacabado. De uma longa caminhada apenas os passos conto, em reminiscência de um ritual que jamais esquecerei, anormalidade fugaz que por mim passou. Óculos que usei de noite, não para ver, mas para não ver. Olhos angustiados olharam para mim, de dúvida foram poucos, de rudimento ficaram.
Numa geração que marcou pelos seus acontecimentos, registaram-se alguns fugazes, mas inesquecíveis. Um crescimento que leva à separação de uns amigos, à aquisição de outros, a novos sonhos e grandes incertezas. Uma inocência que se vai perdendo, umas traições que fazem padecer aquilo que não parece. Gostaria de te dizer aquilo que nunca te disse, a ti! E a qualquer uma que sejas, pois também tu fizeste parte de mim. Foram tantas as pessoas que fizeram parte da minha vida, que me cheguei a sentir anormal muitas vezes.
Eram eles, os que eram de lá e aqueles que eram de lá e não voltaram. Foram eles que vieram para cá e cá ficaram. Fui eu que saí, voltei, entrei e fiquei fechado no mundo. Não estava mais livre, não iria ser querido pelos de outrora, iria ser o que eu nunca fui. Voltar a ser o de amanhã porque o de hoje já está quase a terminar. Olhar para trás e ver uma parede, apenas com o buraco da porta, quando momentos houveram em que não havia portas, nem paredes, apenas vento que me corria pela cara e me fazia sorrir.
Houve quem chorasse quando daqui saíram, eu chorava quando saía e quando voltava. Eu gostava de chorar, mais de rir e de escrever? Ai isso é que era bom! Era um texto que se formava ao longo de um período de tempo. Mas nunca te esquecerei!
A vós, palavras da minha vida!
to be continued...