quarta-feira, 29 de março de 2017

Encontro com Carl Sagan

15/11/2016

Ontem desde que apareceu ao nosso olhar, a lua, deu-nos um brilho fora do normal! 
Esteve mais perto de nós e por isso o seu tamanho, ao nosso olhar, parecia-nos muito maior. A lua é uma só, mas varia ao nosso olhar porque nos movimentamos. Giramos em torno de um sol. 
Só agora eu dediquei tempo a mim mesmo para assistir a um magnifico documentário de Carl Sagan - Cosmos: a personal voyageÉ fascinante aquilo que ele nos ensina! 
A história vista de uma maneira como nunca ninguém a viu. Um génio diria! 
Na minha opinião, este documentário é uma peça histórica da vida na Terra, da Terra no espaço e o nosso Cosmos. 
Uma obra de arte, onde a ciência se mistura com a profecia através de uma delicadeza difícil de encontrar nos biliões de vídeos disponíveis na rede global - a internet.   
Hoje em dia tudo cresce a uma velocidade tremenda. 
São os festivais de cultura psicadélica que promovem culturas de diferentes países e continentes. 
São os vídeos nas redes sociais que estão a dominar o assunto partilhado. 
É muito! É demasiado. 
O incrível é que Carl Sagan já previa isso nos seus documentários nos idos anos de 1980. Que a evolução fosse cada vez mais rápida e desmesurada. 

Provavelmente haverá pessoas no futuro que façam um ano sabático para percorrer os festivais alternativos de cultura psicadélica. Outros viajarão para trabalhar nos festivais. Porque se há algo que caracteriza este publico alternativo, é a sua capacidade nómada.

domingo, 19 de março de 2017

O Homem Moderno

04/02/2017

Ao longo da Natureza (do nada e tudo) sempre em busca de mais um quilómetro, o caos da minha vida, encontra-se no cosmos... 

O cérebro humano é um órgão. A mente [consciência] é algo a que conseguimos aceder através do cérebro. Algo que não se vê. 
A mão é algo objectivo como o cérebro. Imagine que temos a capacidade de manipular coisas com a mão sem lhes tocarmos. Através da nossa energia, assim como temos a capacidade de aceder à consciência através do cérebro. Pode deixar de imaginar, que esta ideia já lhe está a causar confusão! 
A consciência que é una, é o produto final de renovações e transformações dos vários indivíduos, das varias sociedades, das várias civilizações e da história. Cada indivíduo pode ter acesso - se for “normal”, mas sobretudo saudável - à sua consciência, que reflecte o mundo normal.  
O mundo normal é aquilo que a gente vê. O resultado cultural da evolução humana desde a sua origem aos dias de hoje. Permita-me chamar-lhe de matrix - lugar onde alguma coisa nasce ou se gera - onde todos co-existimos e nos relacionamos. 
O computador é um aparelho, uma máquina criada pelo ser humano. Nos idos anos 60, as mulheres negras que formavam o departamento de cálculo na NASA, eram denominadas de “computadores”. O computador actual - como o conhecemos - foi criado pouco antes, na segunda guerra mundial [1939 a 1945].
A internet é uma rede eléctrica, sem fio e óptica, programada e transformada pelo indivíduo e pelas sociedades. É, no entanto, algo que não se vê, mas à qual nós podemos aceder através do computador.  
Através de estados alterados da mente, acedemos a zonas de desconforto. Zonas que por não serem “normais” são deploradas, julgadas e criticadas pelo mundo normal. Algo tão normal como criticarmos, desvalorizarmos, desrespeitarmos o próximo no exercício de nos valorizarmos em relação a quem é “supostamente mais fraco” que nós.   
Os estados alterados da mente podem ser acedidos através de diferentes processos complexos tais como: a meditação, a hipnose ou reacções químicas provocadas por ingestão de drogas ou poções. 
Estes processos renovam e alteram as vibrações do nosso cérebro, reprogramando-o para diminuir ou elevar a energia no nosso corpo. A forma mais frequente e que atinge um maior número de pessoas é através da música, seja ela electrónica ou orgânica, erudita ou básica. 
O indivíduo desde a sua origem e evolução recorreu sempre a estes processos para se conhecer, para se situar, para evoluir. 
Confúcio (479 A.C), pensador e filosofo chinês declarou: “Se queres prever o futuro, estuda o passado”. 
No mundo actual, os festivais de cultura psicadélica que se realizam no mundo inteiro, cada vez com mais frequência e adeptos, podem ser compreendidos como o refúgio do mundo actual para regressos ao passado, através de estados alterados da mente e através da música electrónica. 
É no seguimento deste raciocínio que se desenvolve a seguinte ideia: estes movimentos interculturais de manifestação de arte, de liberdade, união e cultivo espiritual podem estar na origem de uma transformação de sociedades ou civilizações. A identidade cultural - que tanto nos leva ao passado como a futuros apocalípticos - revelada nos indivíduos destas tribos contemporâneas pode desencadear movimentos culturais de dimensão aproximada ao Renascimento?!
A verdade, porém, não pode ser negada! 
Festivais Transformacionais como o Boom Festival (PT), Burning Man (US), Symbiosis Gathering (US), Fusion Festival (GER) tem na música o fio condutor para renovar e alterar as vibrações cerebrais, mas na sua essência, transformações implícitas de cariz sócio-culturais, económicas, políticas e religiosas: as principais bases da civilização.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Fui Ver-te

12/10/2017

fui ver-te.. ainda

Hoje, se contar que ainda não dormi e não finalizei, ainda, mais um episódio da minha vida, fui ver-te. Mas só olhar o tempo, percebo que foi ontem. São exactamente 0 horas e 41 minutos deste dia. Eu vi-te no dia 11, ainda. 
Tenho saudades tuas, tenho saudades nossas. 
Tenho uma alegria enorme de te ter a meu lado, apesar de ao longo de todos estes anos, nem sempre o ter demonstrado. 
Queria dizer-te palavras que ainda não te tinha dito e por isso, entreguei-as de bom grado. 
Contei-te os meus planos para um futuro próximo, transmiti-te a vontade de me ver em outro lado. Seguir o meu caminho, aquele caminho que eu tenho imaginado.   
Entrei naquele hospital enorme, caminhei com a nossa mãe ao lado. De coração apertado. 
No quarto climatizado, ao teu lado, estavam 4 senhoras, mulheres de um longo passado. Certamente elas olham para ti e vêem coisas diferentes, mas inequivocamente todas elas se questionam porque é que estás ali: 
- Tu, menina tão nova, porque estás ao nosso lado? 
A doença chega para todas as idades, não decide pelo pecado. O pecado mora ao lado. Durante anos, eu tenho sido o pecado. O pecado de não te abraçar mais vezes, como fiz hoje. O pecado de não te sentir tanto como te senti hoje. O pecado do culpado. 
Estamos na eminência de abrir uma empresa, de um projecto que eu tenho estruturado. Tudo será novo, depois de o termos concretizado. 
Mas quero ter-te ao meu lado. Por muitos e longos anos, para me sentir amado. 
O tempo rouba-me o passado, ansioso por um futuro, por ti abraçado.

domingo, 12 de março de 2017

As Três Vidas de Maria - I

14/02/2017

Naquela tarde, escureceu mais cedo. Dentro da sua cozinha pequena, Maria descascava batatas para o jantar. O que ouvia na televisão já não lhe dizia nada. Longe iam os tempos em que o seu marido a levava para jantar, no dia 14 de Fevereiro, e, depois tinham uma noite fogosa. 
Depois de perder o trabalho, foi vencido pelo desgosto que o levou ao álcool e o transformou num homem que ele não era.
Meia hora depois, ele chegou a casa, no estado que lhe era característico dos últimos tempos. Sentou-se à mesa, jantou o que a sua esposa lhe preparou e acabou por adormecer em cima da mesa. 
Não trocaram um gesto de carinho e as palavras foram numa direcção totalmente opostas ao suposto amor do dia de S. Valentim. 
Duas horas mais tarde, Maria tinha adormecido no sofá em frente à televisão enquanto assistia à sua novela de eleição. O marido tinha saído para o café para jogar as cartas. 

Abriu a porta devagar, na sua mão trazia algo que o enchia de orgulho e entusiasmo. Pousou a mochila na cozinha e reparou que tinha o jantar guardado no forno. Dirigiu-se ao sofá, abanou devagar a sua mãe e quando ela acordou, estendeu-lhe uma bonita rosa vermelha. Ao ver a bonita flor, os olhos de Maria ficaram inundados de lágrimas. Levantou-se e abraçou o tronco do filho, pois era o mais alto que chegava. Ele baixou-se para lhe beijar a cara, quando ela lhe disse: 
- Amo-te, meu Valentim! Obrigada!

Eros Decadente

11/03/2017

Eros, na mitologia grega, era o Deus do Amor. 
Recentemente fui a um festival cujo nome é Eros. Nesse festival a manifestação de amor é polémica e controversa. Apresentado como evento para maiores de idade, o que se pode encontrar dentro daquele pavilhão é pessoas à descoberta e pessoas à deriva. 
Desde tendas de tatuagem a tendas de objectos para o uso sexual, passamos por espaços onde o BDSM é rei! 
Ao percebermos que há pessoas que tem um enorme prazer na dor infligida e a infligir essa dor nos outros, damos conta que a dor se manifesta no amor dessas pessoas. 

Segundo Platão, Eros foi concebido através de um acto de ousadia, oportunismo e desespero, quando Pênia (pobreza) se aproveitou do estado desequilibrado de Poros (Riqueza) e se envolveram sexualmente. O mito tem outras qualidades interessantes, mas a ressalva fica em Eros ser o filho que é da falta e da abundância. 

Para quem defende que o Erotismo ou a Pornografia é uma manifestação artística, o evento actual pode não ser a melhor escolha para observar, para aprender, para se excitar. O prazer que se procura na observação de corpos nus, em contacto, línguas húmidas em volta de zonas erógenas, um vai e vem de penetração mecânica sem afecto algum, pode deitar por água abaixo a excitação inicial ao entrar no espaço onde o festival se desenrola. Portanto, alimentar o nosso consciente de que vamos vislumbrar mulheres e homens bem tratados a envolverem-se lascivamente sem preconceito, é uma esperança vã. 
Os actores sociais não estão lá pelo prazer de serem observados, mas pelo amor ao dinheiro, ou o desespero de ganhar a vida que se tornou tão dependente de químicos, de possuir algum dinheiro para conseguir alimentar um corpo que está em clara decadência. 
O desequilibro é tal que faz lembrar o estado de Poros! 
A luxuria ao apoderar-se da sociedade actual abriu caminho à ostentação e libertou a ilusão de que “la bella vita” é enchermos os olhos dos outros, com aquilo que não somos, nem temos!  
O show de sexo ao vivo, por acrescidos 3 euros (!) faz lembrar uma performance de circo... as actrizes sobem ao palco já nuas, umas com vibrador outras não, os homens sobem ao palco estimulados, dopados, com a “arma” de fora, estendida, na palma da mão. Sexo mecânico, gemidos que auferem dinheiro e escondem desgostos, vícios e dor. Sorrisos impostos em caras de mágoa, corpos doentes e viciados. 
“Il capo”, roda à beira do palco e observa a sua tripulação com um sorriso oportunista e ganancioso. Os corpos, instrumentos de trabalho e para o quais pagamos para ver, revelam acrescentes de silicone e outras massas que para além de intoxicarem o corpo, se tornam desproporcionais e ridículos. 
É em manifestações cada vez mais ridículas que nos vemos inseridos, próprias de uma palhaçada circense. 
O dinheiro cada vez mais escasso, a selecção própria de classes sociais proporciona a eventos como o Eros, um contacto com grupos de homens e mulheres jovens, exaustos pelas longas jornadas consecutivas de dias e noites, com pouca ou nenhuma roupa, deambular pelo pavilhão, estimulados pelo desespero que o relógio avance sem interrupção. Gozados, observados e enxovalhados pela multidão. 

A multidão que se procura no Eros e se revela em casa, dentro de quatro paredes. Casais de várias idades que se excitam sozinhos no meio da gente. Cada ser individual que vive bem, vive melhor, se ostenta, no mundo do Eros decadente.

segunda-feira, 6 de março de 2017

O_Culto

07/02/2017

Cultura não é conhecimento mas também não é a ausência dele. 
Não é objectiva ao contrário do conhecimento; é complexa e profunda. 
Permita-me a analogia (!): cultura é consciência e consciência é cultura; 
a cultura não existe sozinha; a consciência também não.
A memória é a base da consciência; a cultura manifesta-se através da memória. 
A cultura é resultado de um culto; o culto vive na consciência. 
Um homem culto é um homem que cultivou a sua consciência.