sábado, 26 de novembro de 2011

Traços de Avião

08/10/2011
tarde solarenga de Outono. Ele sentado e vestido com peças de Verão. 
Tímido e discreto caminha por entre a multidão. Ela de sorrisos rasgados, por momentos, toca-lhe no coração. A noite quente, a bebida alcoólica e a certeza de te poder ver sorrir. Não atiro palavras, apenas as quero sentir. Sem arriscar nada, ele limita-se fugir. 
Mas ela fica na indiferença do desconhecido e num piscar de olhos esquece a sua cara. Naquela noite de Outono que mais parecia de Verão, ele, uma vez mais, sentiu o seu coração. 
Vejo prédios, 
ouço uma batida de Verão,
sentado na sua varanda 
ele avista o avião
No céu azul claro
o branco e a imensidão
na cidade de Lisboa
o sol aquece-me o coração
Em paraísos perdidos
o jovem esquece a razão
entre gemidos sentidos
em traços de avião
Nessa tarde quente 
acaba no seu colchão
na sua cabeça traz gente
que lhe ocupa o coração
Depois da viagem 
ao espelho, ele presta atenção
no reverso da sua imagem
sozinho, vê a solidão
Olhando para trás, ele entende que a vida é uma conquista. Porém vive ansioso com o futuro. Faz tempo que não vive satisfeito com o seu percurso. Os desafios são poucos, a alegria dissipa-se no meio da escuridão. Ele que adora ser desafiado, que procura o mais difícil, com vontade de vencer. Que não se contenta, se ficar sentado a ler; resolve nessa tarde de outono, começar a escrever. 
Então ele escreve sobre o presente e o passado, o futuro desejado e a alegria monótona, num dia quente de outono, sozinha, no alto de uma varanda do quarto andar. Enquanto ela não se for embora, ele decide escrever sobre ela e retratá-la como se de um quadro se tratasse. 
Eu gosto de ti porque me fazes rir, sentir e decidir. A alegria vai caminhando cada vez mais para baixo. Não levará uma hora a desaparecer! Vai deixar de me aquecer e eu vou parar de escrever. 
Ao entrar no fim-de-semana, ele vê-se sozinho no meio da cidade. Não sabe o que o amanhã lhe trará, mas pede saúde para si e para os seus. Pede poder voltar a ver o sol, que até agora me tem iluminado. Reza sozinho ao Deus sagrado e com a fé de um homem, vai vivendo incentivado. 
Se o amanhã for mais bonito, talvez possa retratá-lo. Por entre a paz dos homens, com a saúde, ele vive. 
Num país de céu azul claro, 
a vida pode ser bela. 
O homem sonha 
e continua a lutar por ela. 
Entre letras quentes, 
ele escreve à janela.  

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