ultimamente tenho sentido que me virá pela frente mais uma aventura na Europa. Mais um desafio e uma procura. Estou a viver na capital do meu país e no entanto sinto que a minha partida se aproxima. Não vou regressar a casa para ficar, mas sinto que tenho que ir para mais longe. Enfrentar agora o exterior com outros olhos. Depois de tudo o que se passou, depois de tudo o que eu passei. Agora que olho para trás, vejo que tive uns anos da minha vida em que fui muitas vezes à luta e as diferentes cidades, diferentes culturas, só me fizeram crescer e amadurecer mais.
Num futuro próximo terei que mudar. Vou seguir em frente e tentar com todas as forças com que tenho tentado até aqui. O inverno pode ser rigoroso.. pedalar uma bicicleta contra o vento e contra a chuva. Andar quilómetros a pé!
O Verão pode ser quente e sufocante. A Primavera sorrir muito vagamente e a chuva ser constante.
Na altura, aí há uns 7 anos atrás, eu era um garoto. Um jovem rebelde, mas com um coração muito permeável. Atravessei a fase do hippie como ela deve ser vivida. Foi apenas mais um caminho da minha caminhada. No entanto virei essa estrada. Percorri várias, para chegar aonde cheguei. E se elas um dia puderem ser escritas de uma maneira normal, todo o cidadão tem o direito de as ler.
Também tenho pensado muito no passado e sobretudo naquilo que vivi lá fora. Essa é uma verdade. Por isso essa deverá ser a razão de este sentimento de partida estar a manifestar-se cada vez mais. Nos meus momentos anteriores, era de uma ansiedade tal. E o receio que muita vezes não conseguisse vencer?! Viver nessas cidades, mas não de férias! Trabalhar segundo as leis deles. Ganhar o dinheiro que eles me querem dar. Lembro-me de me despedir de amigos, com as lágrimas nos olhos. Lembro-me de chorar interiormente quando via pela última vez os meus pais. A ansiedade é tanta que tudo nos passa pela cabeça. O que não nos sai da cabeça é: Os meus pais. Os meus mais próximos. Não sei quando os vou ver outra vez.
Não estou a sair de casa e dizer que vou tomar café e já venho. Estou a entrar num autocarro, que me leva a um avião. Onde eu vou entrar. Vou adormecer com as lágrimas nos olhos. E chegar a um país diferente, com uma língua diferente e uma mentalidade diferente.
Também viajei com uma menina. É a mais pura das verdades. Eu português. Ela checa. As aventuras, as batalhas e os desafios que nós enfrentamos e passamos na Europa! Foi talvez, o abrir de uma porta bastante misteriosa e que permite a entrada numa realidade tridimensional. O mundo como nós o vemos com os nossos olhos e o mundo como o vemos através da Internet.
Mirandela. Paris. Ostrava. Londres. Mirandela. Leuven. Vila Real. Dublin. Bragança. Porto. Madrid. Lisboa. Foi assim o meu ciclo no inicio do novo milénio. Ainda na primeira década.
Agora estamos na segunda. E desde então não tenho saído do meu país - PORTUGAL.
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