quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O Velho do Largo

16/03/2012

Largo do Camões, sentado
Calçada portuguesa calcada 
Um sem abrigo deitado
E uma nação marcada

Vozes de um país distante
espalham-se ao longo, no vento
Ele com um olhar penetrante 
pede misericórdia e alimento

bebendo um café pingado
aproxima-se do velho humano
e de um bolso apertado 
saca um bonito pano

Pensando em papel timbrado
o velho esboça um largo sorriso
mas para seu desagrado
o jovem está indeciso

Então sem mais pensar
do pano sai uma lembrança
levando-o a recordar 
os seus tempos de criança

Relógio de talha dourada
trabalhado e construído à mão
De uma herança deixada
De um amor de coração

Em passados esquecidos
como quem entra e sai
lembra os momentos mais queridos
junto de seu pai

Depois de olhar bem para ele
o velho lamenta o seu trilho
sabendo que o jovem é dele
em lágrimas chama-lhe filho

E neste momento sofrido
o velho pede perdão
depois de um abraço sentido
sozinho, só ele e a solidão

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