quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Sofrimento num Aperto de Mão


11/11/2013

Ausência de luz. Utilizo a luz necessária para ver e, por conseguinte, para escrever. 
Hoje alguém se despediu de mim. Uma mulher. Uma grande mulher que de altura tinha muito pouco! Eu sei que ela vai partir em breve. Eu agarrei a mão dela. Ela apertou-me com toda a força que tinha no momento, esse momento de sofrimento. As lágrimas podem ser pesadas e cair, mas ela carregou vários fardos ao longo da vida e nos seus últimos momentos, um dos dois filhos, ainda vivos, virou-lhe as costas e abandonou-a. Tudo e só por dinheiro! O dinheiro que levou o amor, o respeito e o carinho por uma mãe. 
Isso doeu-me, mas não imagino o quanto lhe terá doído a ela. Depois de tudo o que ela lhe aturou! Ele que esteve no fundo do poço, várias e determinadas vezes. Ele que largou a mão querida da sua mãe que o embalou em pequeno e em grande, quando ele de altura pouco ou nada valia. Ela, a minha querida tia. 
De um corpo pequeno, saíram 16 crias. 
Sobreviveram duas e uma delas abandonou a mãe. Triste, com a doença que tem e com o tempo que já passou por ela, já não tem forças para sobreviver. O sofrimento que tem é duro, pesado e sem forças, vai deixar de viver.
Ontem chamaste por mim, hoje dei-te a minha mão. Apertaste com força e nos teus gastos olhinhos, vi emoção. Um ultimo adeus, um aperto de coração...    

P.S. Em memória da minha tia que partiu no dia 13/11/2013, pelas 12h00.

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