segunda-feira, 10 de março de 2014

Garoto

08/01/2014

Queria dormir e não posso. Não consigo, nem tento! 
Sinto um vazio dentro de mim, algo a ir-se embora. Afastei-me, hoje, de algo que não escolhi ter. De algo que não quis perder. De algo que me faz viver. 
Eu sou apenas um garoto, do alto do meu 1,70 metros. Raramente as pessoas me conhecem bem, raramente elas me aceitam tão bem. Ela sabe que eu vou embora, sabe que vai sentir a minha falta e vai procurar por mim. 
A despedida de alguém que nós nunca tivemos e que ainda assim parece que amamos. Parece que faz parte da nossa vida, tão longe essa distância que não se resume a minutos. São dias, meses e muitos anos de distância. 
Como pode ela sentir a falta de alguém que nunca existiu para ela? Eu sou apenas, uma imagem que se revela na luz, uma voz que se ouve numas colunas, uma fotografia que se revela no espaço e ainda assim, ela, disse-me há pouco, que um dia, estarei ao seu colo, no seu regaço!
Esse dia que não será de sol, nem de inverno, será marcado por um momento terno. 
Um carinho tímido e esperado, numa noite sem lua, num céu estrelado. 

Momentos ao longo do tempo, 
viagens em mentes despertas, 
vontades descontroladas, 
que cobrem feridas abertas.

Para ela eu sou poesia, 
sou um texto em prosa, 
sou um misto de nomes, 
uma flor, uma rosa.  

O que sou para ela, 
transmite e reflecte energia, 
o calor quente de verão
a noite escura e vazia 

Pensar pode doer. Eu sei que ela pensa, mas evita. Ela encara uma realidade diferente da minha. Eu sou apenas uma voz, que se perde ao longe no vento. Ela consegue elaborar o meu retrato, ela consegue distinguir a minha voz, tenta evitar-me e não consegue. Procura-me porque eu lhe trago algo bom. Eu desperto interesse e curiosidade. Eu estou longe da sua eventual realidade. Eu, apenas um garoto, de tenra idade. 

P.S. Esse "um dia" chegou!

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