palavras para quê?
noites sem vida própria. Incertezas de fundo e sorrisos esbatidos em paredes. Sofás compridos onde me posso deitar, vontade de me matar?!
O triste e solitário lobo que uiva na montanha, é ainda mais infeliz na cidade. No passeio, os pés calcam as pedras da calçada, e eu, de um ponto alto avisto o cimo dos prédios. Entro pelas janelas das casas e vejo amor escondido em gavetas, paixões acabadas em poemas e lágrimas de brilho baço. Ando pelo quarto e vejo o meu ego no espelho. Então apercebo-me que eu sou um reflexo. Apago a luz e desapareço.
Não procuro ninguém, pois ninguém me conhece. Partilho a fé dos homens no dia de sol grande. Choro na minha almofada em noites de lua nova.
Viagens ao meu interior sem bilhete de volta. Abro o livro, vejo letras e sou infeliz. Pinto quadros de tons claros, mastigados em cores frias e guardo a tinta preciosa. Olho o sol da noite mas alguém me diz que é a lua.
Então, sozinho, choro na minha almofada.
Então, sozinho, choro na minha almofada.
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