sábado, 14 de novembro de 2015

O Poder de Amar

06/10/2015

Hoje, de manhã, depois do despertador do telemóvel avisar a hora do momento, abraçou-se a mim, como se o mundo fosse ruir e, rebentou num pranto!
Um sufoco que impedia a entrada de ar e que nos torce o coração, impedindo o órgão de bombear sangue continuamente pelo nosso corpo. Eu sei o que isso é. Já sofri o mesmo. 
Cada chegada é uma vitória, uma conquista e cada partida é uma derrota e uma dor. 
O poder de amar está para lá do afecto sexual, do orgasmo ou das qualidades humanas. Está nos pormenores que observo dessa mulher, que me fazem sorrir e me dá mais vontade de a agarrar, porque é única, especial e frágil como uma flor. Está na vontade que tenho de escrever este texto, sem ela saber, porque não tenho a força necessária para lhe dizer tudo isto, sem rebentar em lágrimas e ficar sem respirar...
Cada um escolhe o seu caminho e o meu cruzou o dela. As palavras de amor que trocamos são tão leves e ficam tão longe do afecto que sentimos, que quando temos que nos separar durante seis longos meses sem nos tocar, cada um de nós perde uma parte da sua frágil ternura, carinho e dedicação. 

Vou embora desta espaço, porque não é o meu mundo. Só ela faz parte do mundo que eu quero. Só ela tem o peso das minhas corajosas decisões de enfrentar o que muita gente não compreende e desvaloriza. 
O dia da despedida é um contínuo olhar de brilho sem luz! Uma luz que esmorece porque sei que, esta noite, não vou segurar a mão dela enquanto ela dorme ao meu lado. Uma barragem que está prestes a rebentar e a inundar a minha cara de água salgada. O meu queixo torna-se uma fonte de água pura que em outras circunstâncias me deixaria envergonhado, mas hoje, não é a vergonha que me preocupa. O que me preocupa é o bem estar desta mulher, que eu não voltarei a sentir, ao meu lado, durante este ano. 

Quando por fim, nos abraçarmos no aeroporto e as lágrimas se tornarem indomáveis, vou caminhar na direcção da porta onde vou desaparecer, e ao olhar para trás, sei que ela fará o mesmo e, só no futuro, voltaremos a caminhar até os nossos corpos se encontrarem para mais um memorável, momento de amor...  

Sem comentários:

Enviar um comentário