domingo, 31 de janeiro de 2016

Ego Virtual (segunda parte)

03/09/2015

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Sem perceber ainda muito bem porquê, assisto virtualmente a uma demandada de refugiados, que aos milhares se tentam espalhar pela Europa. A verdade, é que em poucas semanas, deixaram de ser insignificantes embarcações que “apareciam” ao largo da costa italiana, para se assistir ao descontrolado movimento de pessoas a invadir, literalmente, países da zona leste Europeia.
O ponto mais importante que eu registo nesta mudança é a presença de crianças! Vejo mães e pais sozinhos com crianças ao colo e, crianças sozinhas, sem pais nem mães! 

Eu que padeço da desconfiança, vejo uma alteração não inocente e nada equivoca! Se antes, eu entendia que os refugiados tinham que pagar largas quantidades de dinheiro, aos chefes da quadrilha, para arranjar um lugar no barco apinhado, onde a travessia do Mediterrâneo era uma viagem para a morte quase certa... porque é que agora, eles aparecem aos milhares, crianças sozinhas, tiram selfies e publicam nas plataformas virtuais de propaganda social. 
Os lideres absolutos e tiranos que governavam muitos destes países foram abolidos, mortos, perseguidos e massacrados. Exactamente como eles ordenavam que fosse feito aqueles que eram contra os seus governos! Os Estados Unidos da América foram os principais “culpados” nesta realidade! 
[A minha dúvida se deveria inserir a palavra culpados dentro de aspas, vai permanecer durante mais uns tempos, creio eu!]
Acontece que os grupos radicais extremistas que hoje proliferam, impõem massacre e terror nesses países, onde o massacre e o terror sempre existiu, e são muito mais inteligentes, sofisticados e autodidactas, que eram há 20 anos atrás. E isso, deve-se à evolução alucinante dos dias de hoje, que para uns assusta e para outros é algo normal. A tecnologia albergou o mundo e o mundo está, inevitavelmente, ligado pela tecnologia! 

Eu queria acreditar que depois de se partilhar fotos de miúdos mortos em terrenos europeus, com os vizinhos e com todos os outros que eu não conheço, mas aos quais eu apresento a minha causa tão forte como uma folha de papel, debaixo de pingos de chuva, água morna e salgada que cai dos meus olhos, a Europa vai mudar! E, repare, que eu não digo o mundo, pois o mundo continua igual há muitos anos e é demasiado grande para eu me preocupar com ele, mas a Europa! Esse velho continente onde nasceu a democracia, onde proliferam as economias emergentes de grupos de línguas diferentes.  
Eu queria acreditar que a chegada dos miúdos, mulheres e homens inocentes foi de livre vontade, que chegaram com objectivo de construir uma vida harmoniosa, de paz e amor entre o próximo, no continente mais desenvolvido do mundo, e, não foi uma jogada tenebrosa, manipuladora e vil dos grupos radicais extremistas que nos vigiam ao longe, pela janela do mundo.
Eu queria acreditar que este texto é apenas um desabafo sentido que não se espelha no futuro e, faz parte de um passado que foi superado. 

Eu quero acreditar que a vida que ainda nos resta viver será de respeito e amor pelo próximo. Será aproveitada da melhor maneira, pois cada segundo é importante num caminho finito. 
Eu quero acreditar que o meu Ego digital é apenas um consumo excessivo de informação errada e manipulada, pelos grandes grupos económicos mundiais, que governam a liberdade do puro, simples e comum dos mortais. 

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