quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Zona de Conforto

03/10/2016

Fez hoje duas semanas que regressei a esta casa. Depois de ter viajado por uma parte de um continente tão diferente - o Asiático - mas tão interessante! durante cerca de 20 dias. 
Amanhã é dia de partir de novo. Encontrar e viver novas experiências nas montanhas da limpa e protegida Suiça. 
Aquilo que eu vivi e recordo dessa viagem ao mundo desconhecido é demasiado grande para escrever num texto limitado. É demasiado bonito para deixar para trás, guardado num passado. E, no entanto, o tempo é tramado porque nos tira aquilo que por nós é amado. 
Hoje, voltei a dar um abraço na minha avó e dizer-lhe que vou voltar em breve. O meu coração apertou de tal maneira que senti os olhos a tremelicar. Voltei as costas e pus-me a andar! 
A minha mãe disse-me para manter a fasquia alta - Não fracassar! E eu respondi positivamente. Ela sabe exactamente a minha vontade de vencer e está cada vez mais ciente que acima de tudo procuro experiências novas que me tornem um homem maduro, capaz de falar sobre o mundo, capaz de contar dificuldades ultrapassadas, batalhas interiores e exteriores vencidas.
Ontem ouvia os meus tios, o meu pai e a minha avó falarem do passado. As dificuldades que existiam, a escassez de comida, de recursos, de tecnologia. E, por outro lado, a abundância que existia de amor, união, partilha individual e social. Falaram de um mundo que existia há quarenta anos atrás, que eu não conheci mas que imaginava na minha cabeça, no decorrer das suas palavras. Das suas emoções quando recordavam momentos de trabalho, de procura de comida e de luta pela vida. 
Foi através desse amor, união e partilha que eles sobreviveram, assim como sobreviveram as outras pessoas, que são agora “velhas” para este mundo novo! O dinheiro era pouco, a tecnologia não existia. Hoje, o dinheiro é caro! A tecnologia abunda e o amor, união e partilha são apenas direitos que surgem em segundo plano.
O que eu vou encontrar na Suiça, perante um trabalho exigente das vindimas, é ainda uma incógnita para mim. Mas vou carregado de amor, pronto a partilhar e decidido a unir os esforços de uma equipa para um resultado final positivo e de agrado com o nosso patrão. 
Fui educado por pessoas de valor, por pessoas da terra, trabalhadores de alma e coração. Fui amado por mulheres fortes, vencedoras, capazes de dar uma resposta pronta no trabalho e determinadas a tomar conta de uma casa, de uma família e das suas próprias vidas. 
Vou meter-me num autocarro durante cerca de 20 horas, para ganhar algum dinheiro, mas acima de tudo, para me testar a mim mesmo, de novo! Para conhecer o que ainda não conheço, mesmo que seja uma experiência laboral mais exigente.
Em breve estarei de volta, mas até lá, estarei por fora. Fora da minha zona de conforto!  

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