quinta-feira, 20 de abril de 2017

As três vidas de Maria - II

14/02/2017

O relógio marcava 21h quando Maria trouxe ao mundo o filho mais amado que toda a mãe deseja; o seu primeiro filho, o seu tesouro! 
Demorou para nascer, exigiu tanta força da sua mãe e uma superação tão forte ao sofrimento, que se ele algum dia soubesse tal resistência, ia com certeza olhar a sua mãe como a maior heroína da sua vida. 
Muitos anos mais tarde, Valentim celebrava o seu aniversário no dia 14 de Fevereiro, 
e recebeu a sua medalha de sobriedade. Dois anos limpo do vício da heroína. 
Exactamente há dois anos atrás caiu inconsciente no quarto da sua namorada, Maria, quando celebrava o seu nascimento, o seu aniversário! Aquela heroína era power! Viciado numa droga que a sua namorada Maria lhe apresentava como um bom momento, que ele achava que dominava; Valentim perdeu o rumo e o resto.

Naquela noite, Maria tinha preparado o melhor jantar para receber Valentim em sua casa. 
Visivelmente risonho, entrou em casa e dirigiu-se a mãe. Abraçou-a com força. Com a mesma força que usava para se manter longe do vício da heroína. 
Aquele vício jamais seria esquecido, mas seria para sempre evitado. Dois anos após o caminho das trevas e da ilusão, eram ainda frescas as memórias, os cheiros, os delírios. Sempre que se abraçava a mãe, parecia que lhe vinha tudo a memória, como se fosse uma sombra, um remorso, por ter feito sofrer a pessoa mais importante na sua vida. Maria era a sua verdadeira heroína. 
As lágrimas escorriam pela sua cara. Maria sabia, sentia, conhecia o seu Valentim como a ela própria e, deixou-o sentir aquele carinho de mãe que mais nenhum ser no mundo nos pode dar. 
- Amo-te meu Valentim! - disse-lhe ela ao ouvido.

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