23/07/2017
Umas das qualidades mais maravilhosas da Internet e redes sociais é que hoje eu assisto palestras, na integra, sem estar lá! É claro que essa não é uma qualidade totalitária da internet, mas é através dela que eu vejo e escuto aquele orador que eu tanto prezo. É, cada vez mais recorrente o uso de diretos - streaming da cobertura audiovisual do evento acontecer - qualidade autónoma dos media, no passado, que se tornou vulgar. Então para futuro será difícil eu querer sair de casa, se puder assistir a tudo sem sair do meu espaço seguro, da minha sensação/zona de conforto.
Uma criança ou um adolescente através do seu aparelho ultra-tecnológico, ao qual no passado chamávamos de telemóvel, faz uso da suas funcionalidades e filma tudo o que está ao seu redor para os amigos verem, onde ele está, o que está a usufruir. Pode até filmar alguém a afogar-se (caso recente, nos USA) enquanto faz piadas e nega ajuda, auxilio.
No ponto em que a sociedade está, é impossível distinguir a utopia da distopia, quando a tecnologia alimenta os cérebros e os egos do infante terrível, do homem narciso e do velho demente.
Qual a idade em que os bebés devem se conectar à tecnologia? De que forma essa conexão nos torna mais mecânicos e virtuais, abstraindo os nossos valores orgânicos e elevando o conceito ilusório de que está tudo bem, quando os filhos não reclamam, não chateiam porque estão focados numa imagem, vídeo ou som, criado por nós para nos iludir?
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