27/11/2010
00:30
In need of Sun Rei
Hoje pela primeira vez escrevo aqui, exactamente onde estou. Onde tenho dormido pelos menos três vezes por semana, pelo menos nas últimas três semanas.
Perguntam-me se estou bem, se está tudo a correr bem? Serei assim tão transparente para não esconder a minha angústia, a minha ansiedade e expectativa perdurante? O meu plano de estudos deixa-me assim. Não sei se estou a ir bem, se estou a ir mal. Não sei o que vai sair dali, nem porque ali estou! Às vezes interrogo-me, se preciso de estar a passar por isto. Durante o dia, e especialmente nestes em que aqui estou, passo quase três horas comigo mesmo, em viagem. Rodeado de pessoas que não conheço nem quero conhecer, caminho e vou sentado a ler. Não olho para elas, porque não quero ver-me a mim, não quero sentir angústia em momentos travados e futuros incertos de sofreguidão. Eu, no meu livro mergulho e não tiro os olhos do chão. O sol também está longe e nem para ele posso olhar. Sinto o frio que as outras pessoas reclamam. Carrego tristeza nos ombros, para cima e para baixo. De guarda-chuva na mão, espero que esta caia, mas ela não. Então, como se de uma bengala se tratasse, bato com ele na calçada.
Depois de andar durante um bom bocado, chego ao edifício amarelo onde paguei a professores para me ensinarem algo de novo.
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Tenho a tristeza nos olhos e o medo no coração, tenho vontade de virar as costas e acenar com a mão.
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Tenho a tristeza nos olhos e o medo no coração, tenho vontade de virar as costas e acenar com a mão.
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Quando lá fora, dizes que és de Portugal, são poucos os que conhecem para lá de Lisboa. Então, para eles serás dessa cidade, e é aí que eles te inserem. Quando em Lisboa, dizes que és das montanhas, são poucos os que tiveram o desejo e a vontade de lá passear. A montanha será sempre a montanha, o lugar do lavrador e do lenhador. Então é nos olhos das pessoas que assim me vejo. No esquerdo o lenhador, e no direito o lavrador.
Eu queria pensar menos, queria sentir menos e viver mais. Eu queria voltar a nascer e ser educado somente pelos meus pais. Mas agora é tarde. Eu sou mesmo assim, crescido e vivido em Constantim, colado às terras de Panóias. Santuário mais antigo e nem sombra de jóias.
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