27/05/2011
Sinto-me parado no tempo! Se há uns anos atrás tratava o corpo de forma cruel e irresponsável, hoje deu ao corpo treino e muita água para beber.
Caminho em passadas lentas e mantenho a cabeça direita à espera de ver a minha meta, a encruzilhada ou o escadario. Dou por mim com uma pasta preta de pele sintética que me acompanha desde um país centralizado na Europa, e carrego-a debaixo do braço. Ao longe vejo-me como um executivo, com projectos dentro da pasta. Se chego perto, vejo que esta tem pouco volume, então questiono os projectos.
O real não vai de encontro ao imaginário e a projecção não consome a identificação. Procuro dar mais de mim, enrolo-me em letras e encontro traços cinemáticos.
Viajo de um lado para o outro, caminhando a pé, com e sem boné. Vejo tinta nos comboios salteada em rabiscos, sento-me, encosto-me, com os olhos piscos.
Então volto ao imaginário, e vejo um sorriso na cara. Num sonho evasivo, vejo momentos de alegria, partilho a felicidade com a tristeza e choro sem pedir perdão. Em lágrimas me encontro no meio da multidão. O alarme toca na escuridão, e eu acordo para mais um dia de solidão..
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