segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Vida na Mão


12/08/2010

Hoje tenho que escrever..
para agradecer..

Obrigado por teres poupado (a vida) a um dos pontos mais fortes da minha vida.. Obrigado por não teres mudado a minha agora e para sempre.. Obrigado por ouvires as minhas preces e por me ajudares a escrever estas letras.. Obrigado por me fazeres perceber que a vida não são só tretas.. Obrigado..

Eu vi-o angustiado, com medo, fraco, puro e de sentimento muito baixo. Onde a sua presença nem se fazia notar.. com medo e agoniado por não falar.. ferido e sentido no corpo, na cabeça e no coração.. e a prova de tudo estava na sua mão.. 
ainda a noite estava para vir.. coberto de pó e de pé ele olhava papeis, mas sempre ferido.. preso por não falar.. tenso por estar a guardar.. tudo e muito só para ele.. 

Eu olho e vejo marcas por baixo do pó.. ele acompanhado sente-se só.. ele continua de pé.. ele voltou a trabalhar depois de fugir à morte.. ele regressou a casa sem falar.. ele que escondeu sem tentar evitar.. 

rapidamente o meu sentido de observação se apercebe que houve ferimentos na mão.. e na sua camisa azul cor de pó.. havia vestígios de líquidos derramados.. em fracções de segundo perguntei-me se seria sangue.. mas guardei a pergunta sem resposta para mim.. 

saí sem pensar mais no assunto.. subo escadas com o pensamento vago.. e cansado sento-me na cadeira..

desço escadas e por entre engolidelas volto a reparar na mão.. depois de hesitar vários momentos a pensar se iria abordar o tal assunto, decidi lançar um isco.. longe de imaginar o que se tinha passado.. mas intrigado com a sua presença.. tão baixa.. tão fraca.. 

algo muito mais forte se teria passado.. ele que mesmo depois de uns ferimentos ligeiros brinca com a situação.. ele que quando precisa de ajuda não levanta a mão.. ele que não abordou a questão.. 

no desenvolver da conversa fui-me apercebendo que o assunto estava demasiado pesado para libertar logo de uma vez.. com respostas vagas foi entrando no assunto e começou a explicar.. o que lhe era difícil falar.. mas que o dia de ontem deixou para marcar.. 

Obrigado por não lhe teres tirado tudo.. nem a vida.. nem a sua capacidade de trabalhar.. nem a sua razão de amar.. ele que é um homem à antiga.. que trabalha a terra para vencer.. ele que cultiva a terra para viver.. ele que nasceu para morrer.. 
Vencer, viver e morrer.. 
Obrigado por o deixares vencer.. gostava agora de o ver viver.. apesar de saber, que um dia ele vai morrer.. 

Obrigado

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