quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Vibe Vidu

23/01/2013

vida bela.. vida dura

escrevo para o meu pai, porque ele não sabe o que eu passei, nem eu sei o que ele passou. Ele não conhece a palavra trance, nem eu a palavra ditadura. Eu conheço a palavra: vida bela e ele a palavra vida dura. Nunca me deixou faltar nada e só quer o melhor para mim, e é esse melhor, que o está a consumir! Eu nem sempre quero o melhor, às vezes também quero o mau. Essa é talvez a maior falta de compreensão que existe entre nós os dois. 

escrevo para a minha mãe que me olha nos olhos e me pede respostas. Respostas que eu não posso dar mas que procuro. Ao invés de um filho mole, ela criou um filho duro. Foi talvez um furo, entre nós, que ficou por tapar. A minha angústia, quando ela só me queria amar. Procuro por ela nos momentos de alegria e choro por dentro quando observo os seus momentos mais tristes. A angústia que me consome quando eu percebo que tenho tanto para lhe dar e não consigo! 

escrevo para a minha irmã que me observa sem me questionar. Uma questão de espaço que nos está a separar. Estar com ela é único, porque olho para ela com sentimento, tentando le-la a todo o momento. Transmitir-lhe alegria e paz, sou péssimo nisso, não sei como se faz. Tento ser apenas eu. Mostrar-lhe que estou aqui, enquanto existir ao seu lado. Ela faz parte de mim, do presente e do passado. 

escrevo para mim porque faz-me sentir relaxado! 
Deixar marcas num presente, que vai ser passado... 

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