os carros circulam lá fora, e eu aqui parado. Parado a olhar um computador do século XXI e a escutar uma musica do século XX. O tempo passa, mas a verdadeira razão da vida humana permanece inalterada. Os problemas da vida, a luta pela busca da alegria e do alimento acentuam-se num mundo corrompido, alterado e finito.
Prestes a acabar o seu ciclo, o planeta Terra mostra-nos aquilo que nós construimos ao longo da nossa vida. A globalização de ideias, de vontades e leis.
Ninguém fica indiferente ao que se passa lá fora. Bem longe e tão perto. Ninguém vive sem procurar o outro, que está coberto e incerto. A vida pode não ser um quadro pintado, um amor acabado e uma história feliz. Será uma história de guerra, um momento de dor e um ciclo viciado?
Nascer e viver aqui, sem nunca mudar de lugar. Morrer e nascer num outro lugar?
O mundo é pequeno, mas é tão longe e distante. O que posso eu fazer se não tenho uma passada de gigante?
Vou continuar no meu caminho, feliz e contente. Olhar para trás e ver se há gente. Seguir em frente e chegar a um momento em que digo adeus. Por momentos rápidos eu vejo os meus, vejo a vida que ficou lá trás. Fecho os olhos num momento de paz e viajo, até um espaço que eu não conheço.
Quando abro os olhos, choro e estou perturbado. Alguém fica visivelmente feliz por me ter ao seu lado. Então, eu sou novamente introduzido a pessoas. Escolhem um nome para mim, regam-me e tratam-me como flor de um jardim. Completamente formatado não me conheço no espelho. Os meus olhos virgens não distinguem o velho.
E então ele sorri. Ele diz as primeiras letras do seu vocabulário. Ele faz o seu próprio sumário e mais tarde será um empresário no longe e distante mundo, do reino planetário.
Porque as pessoas preocupam-se com a vida lá fora, mas não procuram a vida cá dentro. Assim como não procuramos a beleza que nos rodeia, procurando aquilo que nos transcende. Posso viver perto da Torre de Belém, mas nunca lá fui. Não me interessa. O que me interessa é uma cidade na Polónia que tem um espaço onde foram assassinadas várias pessoas.
Não te quero se estás perto! Procuro-te porque estás longe e não te vi. Não te toquei e não te senti, mas ouvi por variados meios falar de ti.
Então mais tarde, num futuro de sol tudo isto fará sentido quando à luz das velas e bebendo aquele vinho tratado, eu falo para ti e por momentos te conto o meu passado. Mas, tu ao escutar-me sorris e respondes em desagrado, pois o que tens está perto e o que procuras, jamais será alcançado...
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