21/11/2018
We are not different species. We only see the world in a different way...
No meu sonho, havia uma guerra entre os libertários e os opressores capitalistas. No meu sonho tudo o que os libertários queriam, era viver em harmonia com a Mãe Natureza (fauna e flora) e apreciar momentos festivos de comunhão com o sagrado e o divino. Todos, em conjunto, sem diferenças e preconceitos. Como se todos fossem um só.
No meu sonho, os opressores (donos das terras) recusavam-se a reconhecer a filosofia de vida dos libertários e subjugavam-nos para seu belo prazer e para lhes extorquirem dinheiro, em troca daquele pedaço de terra mantido e cuidado como o jardim do éden. O reino maravilhoso onde a Mãe Natureza permanecia intacta graças à determinação dos libertários, possuía entre outras coisas, uma água límpida e cristalina necessária à pro-criação de vida. Essa fonte de energia era cada vez mais rara no mundo dos opressores...
Nunca, na história da humanidade, se observou um movimento cultural desta magnitude, ainda por perceber as transformações societais que se avizinham. O movimento global com índole contra-cultural atingiu um patamar das massas e através da tecnologia actual, ao alcance de qualquer um, a produção de qualquer composto químico (psico-activo) ou um evento num local remoto é tão possível como estar acordado.
Os festivais transformacionais através das suas distintas qualidades e propriedades demarcam um movimento alternativo à cultura popular [low e high culture].
O Boom Festival aproveita os dejectos humanos para plantar e fertilizar a natureza. Recicla a maior parte dos materiais usados no festival e emprega periodicamente um grupo considerável de indivíduos, para a produção do evento. No entanto, o festival é visto no seu país de origem com muito pouco interesse.
O movimento cultural psytrance promovido desde a sua génese pelo Boom Festival não pertence ao festival mas ao planeta que essa comunidade "tribal" acredita ajudar a proteger e a cuidar.
A experiência subjectiva não pode ser descrita em palavras porque o seu verdadeiro poder, a sua dimensão é muito mais profunda do que uma descrição oral. Todos os seus conceitos meta-físicos que esta poderá imprimir são de pouco interesse ao poder capitalista. Também não pode ser captada em imagem porque esta só transmite informação para cada qual a viver subjectivamente. Apesar da observação do conteúdo audiovisual ser também construída pela nossa mente, essa construção é uma experiência virtual. Ao passo que a induzida no nosso corpo voluntariamente revela a origem do significado da palavra - transcendência.
Há pessoas que percorrem milhares de quilómetros nas suas bicicletas para viverem o Boom Festival, vindo a pedalar desde países como a Bélgica, França, Reino Unido e outros, promovendo a consciência ecológica. Outros, deixam o seu porto seguro (físico), a sua zona de conforto para viajarem do outro lado do mundo para um festival alternativo ao promovido pelos mass media local e global.
Essa própria viagem para e do festival representa o ciclo do herói, que J. Campbell tão bem descreveu. No final, o herói retornará transformado, ressurgido, eventualmente, volta à sua narrativa inserida num mundo capitalista que ele durante sete dias decidiu suspender ou “escapar”.
A memória individual de cada elemento vai perdurar nos intermédios da nossa consciência e reactivar certos sentimentos e/ou emoções quando lembrada, que serão juntamente com a imagem, a ideia, a informação guardados através da aplicação mental - pós viver.
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