17/03/2020
Não percebo bem qual a razão deste surto mortífero e aterrorizador que se espalha pelo mundo, atualmente. No meu entender ser (só) uma epidemia que vai e vem, é pouco significativo para a humanidade, que neste século tem acelerado com tanta velocidade que ao jantar, já se esqueceu do que comeu ao almoço. Uma notícia de hoje, publicada na revista científica Nature Medice, aponta para a origem do vírus ser natural.
Talvez este sintoma pandémico seja um reset, i.e. o terminar de um ciclo pra começar outro. Se tal se verificar também é da minha imaginação que iniciaremos o ciclo que precede o mundo digital per se, ou o movimento digitalista. Nesse sentido, eu interpreto esta situação atual como a última oportunidade para o homem pós-moderno se relacionar biológica e fisicamente. Não é por nada, mas para muitos, esta situação de ficar em casa com a mulher e os filhos, se for o caso, está tornar-se desesperante pois não é isto que procuram, nem para o que estão preparados…
Desde o início do novo milénio fomos formatos para competir, produzir e elevar a rat race humana a um nível exasperante. Esta formatação foi potenciada pelo sintoma progressivo da tecnologia digital. Além dos mais, sobretudo, na segunda década do XXI, o efeito ilusão tornou-se transversal a todas as culturas e povos do globo. Isto porque a vida nas redes sociais passou a ser mais importante, mais divertida e mais interessante do que a vida biológica, de interligação carbónica, ou seja, entre elementos essencialmente constituídos por carbono, como o homem e a natureza, que ao final de um ciclo orgânico/carbónico se decompõe e formam novos elementos.
Depois do movimento modernista e durante o pós-modernista, caímos num limbo. “Em última instância, o pós-modernismo é a dissolução das fronteiras entre o sujeito e o objeto, entre as diferentes coisas, imperando aquilo que é irrepresentável, a diversidade e as colagens do que já havia anteriormente para formar uma realidade diferente”. O cúmulo do pós-modernismo é questionar o inquestionável. Os dogmas que por séculos controlaram o mundo, chegados ao pós-modernismo, deixaram de funcionar, i.e. basicamente tudo é questionável, porque num mundo líquido não há solidez e o homem pós-moderno pode/deve moldar-se aos desafios que lhe aparecem pela frente, no imediato e neste limiar entre organismo e digitalismo.
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