sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Fim do ciclo ou fim do círculo?

28.10.2021

Na iminência do chumbo do orçamento do estado, o Presidente da República, havia dito, repetidas vezes, que iria dissolver a Assembleia da República, se tal acontecesse e, prosseguir para a marcação de eleições legislativas antecipadas.

Pois, pela primeira vez depois do proclamado dia da liberdade, 25 de Abril de 1974, um orçamento do estado foi chumbado na Assembleia da República. Retomo o que declarou Tomasi di Lampedusa (1958), “é preciso que algo mude para que tudo fique na mesma” para referir que se tudo ficar na mesma, então, de nada valeu, este facto histórico. 

Recordemos o episódio em que Rio, ingenuamente, estendeu a mão a Costa para um bloco central e este do alto do seu patamar, petulante e com notável arrogância, exclamou: “no dia em que este governo precisar do PSD, eu demito-me!”. 

Em alguns casos, a verdade é que, por vezes, os amigos são mais valiosos que a própria familia. Mas para Costa, o infindável optimista, a visão utópica de governação nacional não faz parte dos seus planos, nem para a história nacional, nem para a sua história pessoal. Utopias à parte, o futuro da governação muito dependerá do trabalho das estruturas internas e para o exterior, que os dois partidos históricos e mais sólidos, posicionados à direita, fizerem nos próximos dois a três meses. Convenhamos que, pelo meio, teremos as festividades natalícias e de final de ano que provocam, sempre, uma azáfama de duas  semanas e mais uma de recuperação. É, por isso, importante, que as eleições sejam marcadas para depois do primeiro trimestre de 2022. 

Não se pedem pressas para não chegar a lado nenhum. Pede-se, sim, um processo amadurecido e esclarecedor da visão futura para Portugal. Nesse sentido, as duas alternativas que me parecem plausíveis são: uma maioria do Partido Socialista ou uma maioria dos partidos de direita coligados. Aqui chegados, reitero, acho mais desfavorável aos desafios que enfrentamos, e iremos enfrentar nos anos seguintes, uma maioria em que o PS governa tudo, do que a governação que é repartida entre partidos coligados de direita. Dada a aritmética desacertada, própria das eleições, dos tempos actuais, partilho a opinião de que o crescimento do Chega e a diminuição do eleitorado do Bloco de esquerda e do Partido Comunista Português será fundamental para a equação. Por tal, levanta-se a questão: será o Chega a solução ou o problema? 

Para mim, a melhor forma de perceber se o Chega beneficia ou destrói a democracia é deixando-o integrar o governo e analisando as suas ações, resultados, ou seja, de forma empírica. Assim, os eleitores do Chega, poderão perceber, efectivamente, qual a contribuição do seu partido para o desenvolvimento nacional. Não devemos ter medo de assistir às promessas retóricas que um líder partidário faz, sem analisarmos, de facto, as suas ações e, no entanto, esperar que algo mude. Sublinho que através deste processo, os militantes do Chega, poderão analisar o seu contributo para o país e, efectivamente, retirar ou acrescentar valor em prol do seu trabalho. Senão, corre-se o risco de o Chega continuar a crescer exponencialmente alimentado por uma corrente anti-democrática, e um dia, atingir uma percentagem preocupante e perigosa. 

Assim, eu acredito que Rio vai ganhar as eleições internas. Com isto, reforça a sua imagem externa e encabeçará um governo de direita como primeiro ministro, do qual o Chega fará parte. Dessa forma, o Chega acabará engolido pelo poder dominante ou, por outro lado, demonstrará a sua inutilidade na política e legislação nacional, terminando assim o tormento da extrema direita num pais democrático de brandos costumes. 

Na verdade, 180 e 360 graus são ambos componentes de um mesmo círculo. Apresentam, contudo, visões diferentes na geometria legislativa. 


P.S. Sou da opinião que, um número considerável dos eleitores que votam no Chega, não o fazem porque se revêem na suas propostas para o país, mas porque se querem afirmar contra a hegemonia vinculada aos partidos mais votados. Porque entendem que a melhor opção de voto é contra os que tem governado o país nas últimas cinco décadas (leia-se PS e PSD). Muitos não são a favor das medidas mais extremas apresentadas pelo partido Chega, mas são a favor de retirar votos aos partidos de centro. Dito isto, considero que os votos do Chega fariam muito mais sentido numa alternativa ao último governo (leia-se PSD) do que propriamente num partido liquido, com pouco futuro, incapaz de mostrar solidez e prosperidade para uma época fundamental que se avizinha. Devo dizer que durante esta década é fundamental crescer progressivamente, aproveitando e aplicando com eficácia as ajudas que vão chegar da Europa, reformar o país, nos vários quadrantes basilares (Educação, Cultura, Justiça, Segurança Social, Economia, etc) de forma a que Portugal se destaque lá fora, e com isso traga investimento externo tão necessário a um desenvolvimento económico favorável a melhores condições de vida e mais prosperidade à sociedade portuguesa do século XXI. Para concluir, devo dizer que, de tudo aquilo que tenho visto, Rui Rio, parece-me ser o homem capaz de implementar essa tal mudança e por tal, deve ser-lhe dado o voto de confiança.       


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