segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Outrage

24/09/2007
21:00

Lembro-me quando era jovem, aí com uns 20 anos, tudo era fácil, tudo era muito fácil. Às vezes fumava dois ou três cigarros seguidos, porque me sentia bem, porque ainda era jovem. Mas nesse tempo não me lembrava, nem sequer me queria recordar, que os próximos anos seriam diferentes. 
Mais tarde, passados longos e vários dias da minha vida percebi que já não podia fumar 2 ou 3 cigarros seguidos, nem sequer punha a hipótese do amanhã ser tão fácil! Eram dias que tinham passado, eram experiências que tinha vivido, eram momentos em que tinha posto o meu corpo e a minha saúde em questão, esses momentos eram a minha vida real…
Depois de muito aceder e muito suportar, sabia que com o passar dos tempos, nada mais seria fácil, nada mais me deixaria em paz, aquela paz que eu procurava cá dentro quando fumava 2 ou três cigarros para me acalmar… Eram desejos que não procurava, não porque não os desejava mais, mas porque a vida não me permitia…
À medida que vamos crescendo e a nossa mentalidade vai progredindo, não somos mais aquela criança que vemos nas fotografias, que temos nos quadros ou nos álbuns guardados em nossa casa. Somos pura e simplesmente o resultado de tudo isso, de toda aquela vida que fizemos com que fosse realidade, de todos aqueles desejos que tínhamos e concretizamos, mesmo pensando que nada nos pode afectar. 
Dias virão em que... conhecemos alguém e queremos esse alguém perto de nós para nos ouvir. Porque os nossos pais já não são aquelas pessoas que podem aguentar com aquilo tudo que temos para dizer. Porque os nossos pais viveram uma vida diferente, num mundo diferente, e por muito que queiramos que eles aceitem isso ou compreendam, acaba por ser para nós, como aceitar as dificuldades que eles aceitaram e se conformaram em viver assim. 
Tudo isto faz parte de um passado, um passado que pode ser ou não esquecido, dependendo da maneira como o queremos esquecer e atirar para trás das costas. E um passado que não se pode esquecer ou mandar para trás das costas, acaba por ser a maior das traições que uma pessoa encontra no seu caminho…
(...)

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