segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Speaking

30/10/2007
18:00

porém
NO DEVER

Numa tarde de Outono, como as outras, porém com uma particularidade distinta, era 30, o dia do mês do ano de 2007… descobri que não apenas passam os dias e as noites por nós, mas que também nós passamos por elas, independentemente do nosso estado de espírito. Com o passar das horas há coisas que vão mudando, há sentimentos que vão ficando… Demorei largos e vários dias, a orientar o meu processo de mudança, a desejar não mudar, a sentir que a mudança é mais forte que eu… 
Longe vão os tempos da banalidade e reflexo autónomo impotente mas fugaz. Longe esperam aqueles que partilham comigo a alegria de outros tempos. Longe vivo eu da minha segurança e poderio. 
Lembramos às vezes que o passado é uma realidade tão forte como o presente, o futuro é incerto, logo mais fraco e vulnerável. Que demais gostaríamos de omitir para além daquela vontade de mostrar que está tudo bem?
Olho da minha janela e vejo árvores, árvores grandes como o prédio onde vivo, árvores que ofuscam a cidade onde me encontro. Não é grande mas é movimentada, particularmente por bicicletas. Não é moda, é porém mais um sentimento de estar vivo, uma vontade de pertencer a uma cultura, que por aqueles a adquirem. É talvez uma das vantagens destas terras serem tão planas, serem tão fáceis de caminhar. Porém nunca teremos a sensação de admirar do alto o sítio onde vivemos, nunca poderemos sentir aquela brisa suave em dias de primavera que corre acima dos 500 metros. Sabemos apenas que moramos num edifício, no meio de muitos outros, mas na rua X. 
Não pertencemos a todos, pertencemos só à comunidade onde estamos inseridos, somos divididos por secções. 
Vivi longos e eternos anos, numa comunidade diferente. Não havia secções, nem tão pouco sabia apenas que morava na rua X. Sabia que morava naquele sítio e quantas casas tinha a volta, quantas pessoas partilhavam comigo a minha comunidade. 
Talvez tivesse sido o mesmo aqui a séculos atrás, talvez não houvesse secções e houvesse só uma comunidade. É possível, basta olharmos as pinturas de famosos artistas que apenas se limitaram a pintar aquilo que viam e sentiam. São quadros que não precisam de palavras para mostrar o que se fazia sentir em determinada altura, são as palavras omitidas de quem nunca soube escrever, mas que muita vontade mostrou em se exprimir. 
Hoje a vida é diferente, é uma mistura de saber e não saber. É uma sede compulsiva. É um ramo de rosas que nunca chegou a ser colhido, é o cultivo de saber. 
Qual é o agricultor que gosta mais dos legumes que se compram no mercado, do que aqueles que tem em casa? Aqueles que ele cultiva e vê crescerem. Aqueles que geralmente são a sua fonte de vida. 
Será mais difícil para o agricultor vender o que é dele para viver, ou para o ferreiro cujo trabalho do ferro é o seu ganha-pão? 
A verdadeira resposta reside no que se gosta mais de fazer, e naquilo que nos dá força para seguir em frente. No ambiente que mostra a alegria no nosso rosto, no dever ao qual nos submetemos.  
   

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