12/10/2017
fui ver-te.. ainda
Hoje, se contar que ainda não dormi e não finalizei, ainda, mais um episódio da minha vida, fui ver-te. Mas só olhar o tempo, percebo que foi ontem. São exactamente 0 horas e 41 minutos deste dia. Eu vi-te no dia 11, ainda.
Tenho saudades tuas, tenho saudades nossas.
Tenho uma alegria enorme de te ter a meu lado, apesar de ao longo de todos estes anos, nem sempre o ter demonstrado.
Queria dizer-te palavras que ainda não te tinha dito e por isso, entreguei-as de bom grado.
Contei-te os meus planos para um futuro próximo, transmiti-te a vontade de me ver em outro lado. Seguir o meu caminho, aquele caminho que eu tenho imaginado.
Entrei naquele hospital enorme, caminhei com a nossa mãe ao lado. De coração apertado.
No quarto climatizado, ao teu lado, estavam 4 senhoras, mulheres de um longo passado. Certamente elas olham para ti e vêem coisas diferentes, mas inequivocamente todas elas se questionam porque é que estás ali:
- Tu, menina tão nova, porque estás ao nosso lado?
A doença chega para todas as idades, não decide pelo pecado. O pecado mora ao lado. Durante anos, eu tenho sido o pecado. O pecado de não te abraçar mais vezes, como fiz hoje. O pecado de não te sentir tanto como te senti hoje. O pecado do culpado.
Estamos na eminência de abrir uma empresa, de um projecto que eu tenho estruturado. Tudo será novo, depois de o termos concretizado.
Mas quero ter-te ao meu lado. Por muitos e longos anos, para me sentir amado.
O tempo rouba-me o passado, ansioso por um futuro, por ti abraçado.
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