domingo, 12 de março de 2017

As Três Vidas de Maria - I

14/02/2017

Naquela tarde, escureceu mais cedo. Dentro da sua cozinha pequena, Maria descascava batatas para o jantar. O que ouvia na televisão já não lhe dizia nada. Longe iam os tempos em que o seu marido a levava para jantar, no dia 14 de Fevereiro, e, depois tinham uma noite fogosa. 
Depois de perder o trabalho, foi vencido pelo desgosto que o levou ao álcool e o transformou num homem que ele não era.
Meia hora depois, ele chegou a casa, no estado que lhe era característico dos últimos tempos. Sentou-se à mesa, jantou o que a sua esposa lhe preparou e acabou por adormecer em cima da mesa. 
Não trocaram um gesto de carinho e as palavras foram numa direcção totalmente opostas ao suposto amor do dia de S. Valentim. 
Duas horas mais tarde, Maria tinha adormecido no sofá em frente à televisão enquanto assistia à sua novela de eleição. O marido tinha saído para o café para jogar as cartas. 

Abriu a porta devagar, na sua mão trazia algo que o enchia de orgulho e entusiasmo. Pousou a mochila na cozinha e reparou que tinha o jantar guardado no forno. Dirigiu-se ao sofá, abanou devagar a sua mãe e quando ela acordou, estendeu-lhe uma bonita rosa vermelha. Ao ver a bonita flor, os olhos de Maria ficaram inundados de lágrimas. Levantou-se e abraçou o tronco do filho, pois era o mais alto que chegava. Ele baixou-se para lhe beijar a cara, quando ela lhe disse: 
- Amo-te, meu Valentim! Obrigada!

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