sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Vibe Tribe - 1ª Noite

29/01/2008

Quando o dia está presente tudo parece mais fácil, ainda que o calor aqui se faça sentir intensamente. Mas quando a noite chega, tudo se transforma! São luzes que se acendem, são gargalhadas que se ouvem, são energias que se sentem, são olhos que brilham e, visão que se perde! Tudo preparado para ir para a festa. O jantar foi vago para alguns pois pensar em comida era perder tempo. Entre continuados fumos e passos lentos, percorremos cerca de 500 metros, distância essa da tendas ao dance floor

O som do dance floor fazia-se ouvir, ainda aqui nas tendas e, a ansiedade e adrenalina disparam em flecha! As luzes que brilham e os sons de vários rádios de carros, gargalhadas e vozes perdidas, mostram que a festa começa a dar graças... 
As lojinhas que representavam algumas empresas inseridas neste tipo de eventos, viradas ao dance floor ainda que longe, davam o ar da sua graça com demasiados utensílios e acessórios.
Os bares espalhados e oportunos à festa, são referências para muitos e sossegos para outros. Os workshops e tendas determinadas a assistir o público interessado, fornecem aconchego a quem vive enraizado neste tipo de cultura. Proporcionam exercícios de relaxamento, debates propícios e sítios de apoio a famílias que vão viver nesta vila nómada por mais de uma semana.     
O dance floor foi devidamente preparado e iluminado a dar a sensibilidade da cultura. É uma decoração única, é criada e montada pelos que a produzem. É utópica, é bonita, é a prova que tudo foi preparado para nos trazer um grande sorriso.

O som é agora o mecanismo que comanda a minha mente, que lhe dá vida própria! Incontrolável esta maneira de estar, velocidade a mais neste conjunto de neurónios, que me põe fora da realidade! São milhares que rodeiam o dj e balançam o corpo como podem. São energias que, espalhadas, dão o intenso enredo da festa. O limite é o chão. Quando cairmos é porque já não aguentamos mais. Revela que gostaríamos de estar de pé e não podemos.

A meio da noite, a festa atinge o Boom, o ponto máximo revela-se na cabeça da maior parte dos presentes. O cansaço que se vinha a acumular, parece que desaparece e as pupilas dilatam-se. Os que conseguem e se orientam, saem em busca de ar fresco, de acalmar a velocidade neurónica, de descansar do som, de sair do transe! 
Alguns circulam perdidos dentro das próprias cabeças em busca de uma porta. Mas não há portas... o espaço é aberto! O espaço é livre! A responsabilidade é tua! 

Os conhecidos da matéria, situam-se onde seja mais fácil o acesso à viagem e ao retorno esporádico. Vieram em busca de viajar dentro de si mesmos, vieram capazes de aguentar e conduzir a própria viagem. São uns autênticos guerreiros, infundidos no som desaparecem da realidade por vários espaços de tempo. Entram em realidades alucinadas incontroláveis e, muito intensas... 
Dependendo do ritmo de som e barulhinhos de fundo, psicadélicos, a vontade de trocar de combustível varia. Esses combustíveis variados são a receita médica de um guerreiro. 
A indumentária aqui não é vulgar, não é padronizada, é ritual. É a prova marcante do posto que ocupa, do grupo a que pertence, da experiência adquirida. 

A aurora chega, já é possível distinguir quem nos rodeia, já nos mostra o resultado da noite. São sorrisos fugazes ou fugidios, porque os dentes cerrados fazem parte da forma facial de muitos presentes. A vontade de sorrir ou o estado de espírito pode ser possível, mas a desidratação é maior e domina-nos a face e o resto do corpo! 
Os que vão chegando mostram-se mais frescos e prontos para curtir mais umas horitas, mas a vontade de ir descansar não é grande. De repente acaba a água, e a secura, desidratação e cansaço, regressam ao corpo de forma espontânea. A manhã já vai a meio, e ainda não saí daqui! 
Olho em volta, muitos chegam e muitos partem, muitos conversam, mas também ainda há muitos calados, fechados nas suas mentes... 

A música agora é outra, alegre, aberta e agradável. É o culminar de várias viagens introspectivas, é o começo de mais um dia. Os sorrisos vão se espalhando. 
Sorrindo vou em busca de água, de descanso e alimento. 

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