13/03/2021
Não será só impressão minha, mas parece-me que, ao longo dos últimos séculos, fomos ficando mais velhos cada vez mais rápido. Noto que a diferença sócio-cultural entre décadas, de séculos passados, não foi tão íngreme como é na atualidade.
Mentalmente podemos fechar o nosso ciclo histórico do século XX, o que foi notável ao longo das dez décadas anteriores. Por exemplo, a diferença nas práticas e representações culturais de vestir entre 1910 e 1990 é peremptória nesse sentido. Além disso, reitero que a diferença entre 1990 e 2020 não pode ser desvalorizada. E, no entanto, só passaram duas décadas do ainda infant século XXI.
À velocidade que o mundo gira e à forma como se interligam os humanos neste planeta atual, as clivagens entre décadas será muito mais acentuada. Poderá dizer-se que desde o longínquo 11 de Setembro, o mundo não terá tido outro choque global, como está a ser esta pandemia.
Hoje, percebe-se à velocidade da luz, que eu estou interligado ao mundo de forma digital. Eu conheço esse mundo todo, porque esse mundo existe virtualmente. Não na minha memória, mas nos interstícios da programação computadorizada que o homem criou para si próprio. Assim eu posso aceder, visitar todos aqueles sítios que eu já ouvi falar, virtualmente. A terra já não é mais o meu habitat.
Somos seres virtuais com estímulos e sensações fisiológicas. Alguns diriam que vivemos na nuvem. Talvez a gente viva mesmo por aí, porque a nossa terra ficou pequena de mais para nós. A sincera verdade é que os humanos vivem ansiosos por uma ligação, interconexão virtual. A grande maioria dos terráqueos não vive sem estar conectada diariamente para alimentar um mundo que gira a cada vez mais velocidade, até que o nosso sonho seja alcançado, e, um dia possamos viajar intergalaticamente à procura de novos mundos para conquistar. Porque este, o planeta Terra, já há muito a gente conquistou.
Hoje, estamos para lá das palavras, para lá das imagens. Estamos perante um espelho que nos revela o mais podre da ganância humana. Um dos pecados capitais da raça suprema como tão bem descreveu Alighieri. Na verdade, o século XXI ditou já os sete novos pecados capitais, que substituem os que perduraram na mente humana, durante meio milénio.
Esta mudança em curso pode muito bem representar a quebra do acordo que existiu, desde todo sempre, entre a mãe natureza e a sua mais bela criação: o ser humano. Quem é este humano eletrónico que se constrói a ele próprio, numa tão bela representação da artista Carlyle, self made man?
Questiono-me, será que os humanos viverão felizes na Terra, no próximo século? Como será essa interligação com o mundo biológico? - o nosso berço.
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