terça-feira, 27 de julho de 2021

Sisifo voltará

27/07/2021

Olhando para os acontecimentos históricos do passado é perceptível que uma mudança se aproxima. Por outras palavras, os grandes acontecimentos mundiais não passaram sem deixar marca. É possível dizer que esses acontecimentos puseram fim a uma era e iniciaram outra. Analisando esses casos, percebe-se que o fatídico dia 11 de setembro de 2001, acelerou a partilha de dados abrindo espaço para o domínio total da world wide web. Através da world wide web é muito mais fácil vigiar as pessoas e perceber os seus movimentos. 

Recuando um pouco, poderá dizer-se que as quedas dos regimes ditatoriais da década de 70 e 80, sobretudo nos estados nação europeus, permitiram uma abertura a uma Europa fragmentada e desigual. Ainda que estes acontecimentos tenham sido mais contidos, a uma escala quase territorial, foi notória a transação e a abertura ao consumo exterior que resultou após a queda dos regimes ditatoriais. 

Não podemos deixar de referir aquele que foi o acontecimento cimeiro que desencadeou uma mudança sem precedentes; o acontecimento que mudou as sociedades globalmente. Claro, a segunda guerra mundial. A sociedade de produção fundiu-se numa sociedade de consumo e, hoje, a espiral consumista apresenta uma falência que muitos diriam incontornável. Foi, de resto, uma vontade e necessidade incontrolável que expandiu a ameaça global ao maior ser vivo do universo, conhecido por mãe de todos os seres vivos. 

É provável que a mãe Terra esteja tóxica, debilitada e desequilibrada. É provável que esse desequilíbrio seja notório nas constantes mudanças abruptas de clima, na infertilidade de alguns espaços, outrora pródigos em gerar vida. 

Não podemos achar que após este episódio pandémico, que assolapou o mundo, tudo será como dantes. 

Voltando ao intróito, este acontecimento marca o fim de uma era e o inicio de outra. Assim, o desenvolvimento digital será acelerado e dominará a humanidade nas próximas décadas. Também aqui está a maior fractura entre nós e o nosso planeta. Eventualmente, o corpo humano alcançará maior longevidade, mas isto não vem sem preço. Teremos que abdicar de partes do nosso organismo e, lentamente, transitaremos de seres biológicos para seres híbridos, onde a nossa parte meta-física se irá expandir num cosmos totalmente virtual. É lá, nesse cosmos virtual que encontraremos a felicidade, o entretenimento, a satisfação de estarmos vivos. Além de tudo isso, será necessário uma super fonte energética para manter esse cosmos virtual a funcionar. E isso, terá um preço elevadíssimo. 

Cá fora, onde a gente vive agora, será inóspito. Ecossistemas em ruptura, relações voláteis e desequilibradas. O instinto animal, que será o último a deixar o corpo humano, continuará a assombrar a cada esquina, com perseguições, violência e morte. O desequilíbrio será total, resultado da formação de um cosmos artificial e um caos orgânico. 

Com esta, estará fechado um ciclo terrestre bastante inferior ao anteriores, que por milénios, promulgaram a filosofia perene.        

Aí chegados, a mãe Terra gerará novamente vida e Sísifo voltará a habitar o planeta, para de novo, empurrar a pedra até ao cimo da montanha…

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